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COMO AVALIAR O ANO QUE PASSOU E PLANEJAR O NOVO?

Poderia tomar vários caminhos para esta questão de avaliar e planejar o tempo. Vou tomar um caminho que tem me chamado muito atenção: o corpo. Somos seres conscientes do TEMPO e do CORPO. Podemos viver pouco conscientes destas duas realidades. Mas, elas estão sempre nos tocando de alguma maneira. No corpo tomamos consciência do tempo. Quando encontramos com um jovem que conhecemos quando ainda era criança e agora deparamos com um homem casado com filhos, ficamos por alguns instantes nos perguntando se é verdade o que estamos vendo. E aí vem a pergunta: É mesmo aquela criança? Nossa, como o tempo passou!!!

Fundamento este breve texto em quatro livros: São João Paulo II escreveu sobre a “Teologia do Corpo”; a SOTER (Sociedade de Teologia e Ciências da Religião) realizou, em Belo Horizonte, um congresso com o título “Corporeidade e Teologia”; a Faculdade de Teologia de Lovaina publicou “O Corpo, Caminho de Deus”, organizado por Adolphe Gesché e Paul Scolas; o médico norte-americano Dr. Alexander Lowen escreveu “Prazer: uma abordagem criativa da vida”, e “A Espiritualidade do Corpo”.

Neste término de ano e começo de um novo, sugiro uma maneira de avaliar fora da tendência frequente: o que eu fiz? O que deixei de fazer? O que eu quero fazer no novo ano? Sugiro avaliarmos: COMO eu vivi o que eu fiz? Eu vivi e vivo com PRAZER? O que tem nos tirado do prazer de viver é a falta de PRAZER no que fazemos. Uma das premissas básicas desta breve reflexão é de que um comprometimento total com o que se está fazendo é uma das condições básicas para o prazer. A pessoa fica dividida e em conflito quando não se envolve totalmente. As crianças se envolvem completamente com os jogos e brincadeiras. Quando dizem que a brincadeira foi divertida, não quer dizer que foi só um passatempo, mas sim que, numa situação de faz de conta, se envolveram de corpo e alma com a atividade e alcançaram prazer ao se auto exprimir.

A criatividade adulta emerge das mesmas fontes e com a mesma motivação das crianças. Resulta do desejo de prazer e da necessidade de autoexpressão. Tem a mesma atitude séria das brincadeiras e também causa prazer. Sempre há um elemento de diversão no processo criativo, pois começa com um faz de conta, isto é, uma suspensão da percepção da realidade para que o novo e o inesperado apareçam. Em relação à criatividade, todos somos crianças. A criança não perde o contato com seus sentimentos e permanece atenta ao seu corpo. Sua realidade interna não é suspensa. Não é necessário estar se divertindo ou feliz para sentir prazer. Pode-se ter prazer nas circunstâncias comuns da vida, pois o prazer é um modo de ser. O prazer fornece a motivação e a energia para uma abordagem criativa da vida.

Desejo a todos intenso prazer de viver com criatividade!

Pe. Antonio Tatagiba Vimercat
Reitor do Seminário Bom Pastor, em Cachoeiro de Itapemirim

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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