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Celebrar com fé e odor

Dos sinais referentes ao sagrado, contidos na liturgia, vamos hoje recordar, o incenso, o qual, segundo a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR nº 235), é de uso facultativo na liturgia eucarística, e indica o tom orante e solene da celebração.

A palavra incenso vem do latim “incendere”, que significa “acender”: uma resina natural que, ao arder, se transforma em fumaça e libera um odor agradável. Da mesma palavra deriva “incensário”, que é um recipiente geralmente em metal e suspenso por correntes, onde se consome o incenso.

A raiz “thus”, do grego, também significa “incenso”, de onde deriva “turíbulo” (o mesmo que incensário) e “turiferário” (aquele que transporta o turíbulo). Para completar, a “naveta” = “navezinha” (do latim “navícula”), com a forma de uma nave pequena: recipiente que contém o incenso.

O incenso não é originalmente de tradição cristã (no culto cristão foi introduzido no século IV), mas seu uso é antiquíssimo nos cultos do paganismo, sobretudo no Oriente, e desde muito antigamente no Egito, antes da chegada dos israelitas. Nessas tradições o incenso era usado como sinal de adoração e sacrifício aos deuses.

Por causa das influências recebidas pelo povo de Israel nos contatos com outras nações e tradições, o incenso foi introduzido no culto do povo de Deus. Na passagem do Ex 30 é descrita uma ordem de Deus a Moisés para a confecção do altar dos perfumes, para nele ser queimado o incenso. A profecia de Isaías (Is 60,6) é aplicada a Jesus no contexto da visita dos Magos que a ele oferecem, além de ouro e mirra, o incenso (Mt 2,11 ). As liturgias descritas no Apocalipse também destacam o incenso como a oração dos santos (Ap 5,8; 8,4-6).

Na liturgia eucarística (cf. IGMR nº 235) usa-se o incenso durante a procissão da entrada e, à chegada, o altar é incensado; também na procissão e proclamação do Evangelho; após a preparação do altar: as oferendas, o altar, o presidente e o povo; e, ainda, após a elevação do pão e do vinho eucaristizados. Na Vigília Pascal, incensa-se o círio antes do canto do precônio. Na liturgia da dedicação de uma igreja, incensam-se as paredes do templo. Nas celebrações de culto eucarístico fora da missa incensa-se o Santíssimo Sacramento exposto.
Outros momentos em que se pode utilizar o incenso: na liturgia das horas, durante o cântico evangélico, nas laudes e vésperas, é incensado o altar e, na sequência, aquele que preside e o povo (cf. o nº 261 da Introdução Geral sobre a Liturgia das Horas); na liturgia exequial: após a oração de despedida, no velório, incensa-se o corpo de quem faleceu, como também a sepultura, após o sepultamento (cf. o ritual de exéquias “Nossa Páscoa”); na bênção dos sinos de uma igreja.

Para a contínua vivência celebrativa, o salmista nos inspira: “Suba minha prece como incenso em tua presença, minhas mãos erguidas como oferta vespertina!” (Sl 141(140),2).

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Fr. José Moacyr Cadenassi
Frade Franciscano Capuchinho, letrista, cantor, consultor de liturgia, apresentador de rádio e agente de ecumenismo e diálogo inter-religioso

 

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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