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Celebrar a Misericórdia através da liturgia

A vida litúrgica, fonte, legitimação e expressão da fé cristã, comunica continuamente o rosto da misericórdia do Pai – Jesus Cristo. A ritualidade é dinâmica fecunda na experiência e aprofundamento dos gestos misericordiosos de Jesus, os quais são vivas expressões do seu amor e compaixão para com todos, como verdadeiro amigo e benfeitor da humanidade.

Nos ritos iniciais da liturgia eucarística, através do ato penitencial, revive-se com distinção a misericórdia do Pai, que é concedida por meio do Filho: a invocação do Cristo – o Kyrios, o Ressuscitado, aquele que transcende todas as realidades – é a sensibilização confiante da assembleia reunida que se coloca diante da divina compaixão, ao assumir para si a referida dádiva, fortalecendo-se para fomentar no mundo a misericórdia que transforma as relações humanas: com Deus, do indivíduo consigo mesmo, com o próximo e com o cosmos.

Na liturgia da Palavra a Igreja abre o tesouro da misericórdia através da proclamação bíblica, com a culminância do Evangelho. Momento de escuta atenta e confronto de cada membro da assembleia com a Boa Nova, no ensejo de acolher a comunicação de vida plena do Pai das misericórdias, que fala através do Filho.

Na prece eucarística – ação de graças ao Pai por Cristo, com Cristo, em Cristo, a Igreja celebrante reconhece e proclama as maravilhas daquele que tudo cria e transforma. Desse modo, os batizados assimilam e assumem os gestos misericordiosos e vivificantes do Criador na pessoa do Filho, e confirmam isso na atitude de comer e beber em memória do Senhor, no desejo e compromisso de assumir a sua vida e traduzi-la no exercício da caridade, como extensão de sua ação pascal.

Referencial da vida mística cristã, a liturgia dinamiza o aprofundamento da existência e realiza o envio missionário dos batizados como testemunhas perenes de Cristo na história. Celebrar a liturgia é fazer valer o princípio da vida de compaixão, no contínuo ofício de entoar e viver as misericórdias do Senhor.

Frei José Moacyr Cadenassi, OFMCap 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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