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BENDITO SEJA DEUS!

Bendizer, benzer ou abençoar tem tudo a ver com falar bem, elogiar, desejar o bem para alguém. Esta é a etimologia da palavra, que provém do latim “benedicere”. De forma geral, em sentido religioso, designa a relação do humano com o sobrenatural, o sagrado, e é comum nas diversas religiões.

Tanto a liturgia judaica como a cristã tem predominância na atitude de constantemente bendizer a Deus, em sinal de reconhecimento da ação benéfica, salvífica e eficaz do Criador para com a criatura. Na fé cristã são reconhecidos esses feitos por meio de Jesus Cristo, o único mediador entre o Deus e a humanidade (cf. 1Tm 2,5-6a), na culminância do seu Mistério Pascal, que é celebrado nas formas sacramentais, com ápice na liturgia eucarística.

A bênção torna-se uma dinâmica transformadora na vida pessoal, familiar e comunitária: no ato de “falar bem”, no reconhecimento do princípio vital do Criador, há uma nova ordem mental, expressada pelo pensamento, pelo sentimento e pela oralidade, com repercussão corporal e abertura para o revigoramento.

A bênção tem caráter litúrgico e pertence ao conjunto de sacramentais instituídos pela Igreja. Estes são sinais sagrados e meios para celebrar a graça de Deus e seus efeitos, em vista da santificação, e nas várias circunstâncias da vida (cf. Catecismo da Igreja Católica – n. 1667-1672).

O gesto de abençoar é função de ministros ordenados, de religiosos e também de leigos. Deve seguir as orientações da Igreja conforme cada categoria de ministros, como também considerar os livros litúrgicos: Missal Romano e Ritual de Bênçãos (ambos para ministros ordenados), e o Ritual de Bênçãos para Ministros Leigos.

Os Rituais de Bênção contemplam diversas circunstâncias como, por exemplo: bênção de pessoas (várias categorias); bênção de edifícios e outras obras; bênçãos de lugares; bênção de objetos litúrgicos; bênção de elementos devocionais.

Além do caráter oficial e ministerial das liturgias, não se pode esquecer de outros possíveis momentos importantes do cotidiano em que a oração de bênção é plena de sentidos, conforme a cordialidade e os costumes locais. Em âmbito doméstico, a bênção dos pais, dos avós, dos padrinhos e madrinhas, como também das refeições familiares. Em comemorações festivas com grupos diversos de conotação religiosa cristã-católica: peregrinos, expressões de religiosidade popular, novenas, orações do rosário, ofícios, Folia de Reis, festejos do Divino Espírito Santo e outros.

Por todo o sempre, “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo.” (Ef 1,3).

Fr. José Moacyr Cadenassi
Frade Franciscano Capuchinho, letrista, cantor, consultor de liturgia, apresentador de rádio e agente de ecumenismo e diálogo inter-religioso

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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