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“Basta-te a minha Graça” (2Cor 12,9)

O apóstolo Paulo, antes de seu chamado, como todo judeu, dependia da Torá e a sua vida era baseada no cumprimento da Lei, algo que abandonou depois de seu radical encontro com o Senhor. Uma experiência que fez com que a sua posição em relação à Lei perdesse o sentido, em vista da cruz de Cristo, que passou a ser para ele o seu único motivo de glória. Por meio de sua adesão à Cruz de Cristo, o apóstolo passa a ser sustentado pela graça divina, sobretudo, diante de sua própria fraqueza, vendo na mesma graça, a manifestação da força de Cristo.

Durante toda a sua vida, Paulo foi alvo de grandes manifestações do poder de Deus, apesar disso, ele sempre se recusou a colocar nestas a sua confiança. Muito pelo contrário, pois o apóstolo sempre afirmou que na sua fraqueza humana é que ele provava a excelência do poder de Deus, fazendo da cruz de Cristo o grande sinal da força e graça divinas em sua vida. Na cruz, o apóstolo depositou toda a sua esperança e toda a sua vida, abandonando tudo o que anteriormente tinha sido para ele motivo de glória. Desse modo, Paulo viveu e fez de sua união com Cristo crucificado um caminho de vida e uma profissão de fé, a fim de que fosse sempre sustentado pela graça de Deus. Sendo assim, a confiança de Paulo no poder de Deus que nele agiu, fez dele, para toda a Igreja, um grande sinal e um exemplo a ser seguido, como um modelo de vivência de Fé e do ardor missionário.

Em toda a sua vida e ministério, o apóstolo Paulo sofreu enormemente com as perseguições e dificuldades, de fato, por vezes viu-se colocado em situações que poderiam atentar contra sua própria vida. Todavia, apesar de tantas dificuldades e empecilhos, ele jamais duvidou do seu chamado e também nunca se sentiu desamparado. A sua força era o amor de Cristo e o vigor do seu ministério vinha da sua íntima união com o Senhor. Algo que ele sempre confirmou ao dizer: “Basta-te a minha graça” (2Cor 12,9). De fato, na fragilidade de seu corpo, ele reconheceu a ação da graça de Deus e o seu poder, de maneira especial, diante das muitas dificuldades e perseguições que sofreu.

A experiência de íntima e profunda união com o Senhor fez com que o apóstolo reconhecesse que a sua vida não pertencia mais a ele, mas, deveria ser colocada inteiramente a serviço do Evangelho, para o bem dos irmãos. Algo que foi sendo fortalecido ao longo dos anos, por meio da vivência concreta do amor de Cristo que sempre foi o centro da vida do apóstolo. Tal experiência de Paulo deve iluminar a vida e o caminho de seguimento dos discípulos hoje, a fim de que se sintam firmados e acompanhados pelo Amor do Senhor. De modo que assim como Paulo foi sustentado pelo amor e pela graça divina, todos, do mesmo modo, sintam-se acompanhados e fortalecidos em seu serviço pastoral.

Que sejam inspirados pelo testemunho do apóstolo que encontrou na cruz de Cristo, a chave de uma vivência direcionada ao amor fraterno. De modo que possam também vivenciar este amor em seu dia a dia, comunicando aos irmãos e irmãs, a exemplo de Paulo, o que recebem gratuitamente do Senhor. Apoiados na graça divina que sempre sustenta os que desejam dedicar-se à construção do Reino, como trabalhadores fecundos que semeiam a Paz, a Justiça e a Solidariedade.

Pe Andherson Franklin Lustoza de Souza
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e Doutor em Sagrada Escritura

 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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