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Atenção para a travessia

O julgamento pelo STF do impedimento da presidente Dilma Roussef por pedaladas fiscais para cumprir obrigações do governo para com programas sociais, coloca o país em situação de transição política e econômica. Como essa transição vai ocorrer tendo como presidente interino alguém sem qualidades de estadista e com o legislativo amplamento subordinado a interesses pouco republicanos,  há que se estar atento para retrocessos.

No campo político, correm riscos avanços de cidadania conquistados na Constituição de 1988.  Dentre esses, a institucionalização da participação da sociedade civil organizada na discussão de temas de relevância para o país.  E também o direito universal à educação, saúde e condições básicas de vida.

No campo econômico, manchetes e coberturas jornalísticas centradas no julgamento pelo STF abrirão espaço para a tramitação de legislação e políticas públicas há muito desejadas por forças conservadoras. Um dos alvos será o retorno ao afã privatizante que pode afetar bem sucedidos experimentos brasileiros na busca de autonomia tecnológica e de inserção melhor qualificada do Brasil no comércio internacional. A Petrobras – tanto no que diz respeito à exploração do pré-sal quanto nos avanços de energias alternativas, a EMBRAPA – em tudo que tem feito para assegurar a competitividade do agronegócio; a rentabilidade da agricultura familiar; e a valorização de modos tradicionais de produção – são alvos explícitos de privatização sem maiores debates políticos.

O reconhecido internacionalmente sistema estatal de crédito e financiamento – BNDES, Caixa e Banco do Brasil – também sofrerá pressão para abrir espaço para a banca privada, mesmo em áreas em que essa sempre demonstrou pouco interesse: financiamento de longo prazo, apoio a micro, pequenas e médias empresas; fomento a investimentos sociais.

A operacionalização de política externa voltada para a ampliação de parceiros políticos, econômicos e culturais também corre risco de retrocesso. O alinhamento automático aos interesses ditados pelos estadudinenses pode significar o enfraquecimento, dentre outras, da bem engendrada construção do bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).  Importante iniciativa na construção de bases sólidas para o multipolaridade em escala mundial, até mesmo uma participação tímida no Brasil resultará em importantes perdas de oportunidades para o bloco.

Por esses e outros motivos, toda atenção é necessária para o que acontecerá a cada dia dessa transição que se espera breve.  Brevidade necessária para que o país volte a ser governado por quem eleito pelo voto popular e possa retomar sua trajetória de crescimento com inclusão social.

Arlindo Villaschi

Professor de Economia e Coordenador do Grupo de Pesquisa em Inovação e Desenvolvimento Capixaba da UFES

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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