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As novas formas de luta a que somos chamados

Em nossas ações sempre estamos procurando, propondo, executando estratégias que viabilizem o que desejamos, pensamos, queremos. Se estivermos envolvidos com atividades coletivas – e sempre estamos nessa sociedade em rede – ainda mais essas estratégias são importantes, pois elas implicam em conversas, conexões, parcerias e narrativas que possibilitarão – ou não – o efeito pretendido. Para tal um elemento é fundamental: a maneira de lidar com o que se apresenta, com as dificuldades, os desafios, as complexidades das realidades e do mundo. Inspirados na Filosofia de Michel Foucault diríamos que sempre é importante estar atento ao que ele chama de antologia do presente.

Pela antologia do presente nos colocamos em investigação através do que nos constituiu como sujeitos do que fazemos, pensamos e dizemos. Ou seja, a atualidade precisa ser a base para o questionamento de como as coisas são o que são e como somos parte disso. E essa investigação será guiada pelo entendimento de que o tempo oferece mudanças, o tempo produz mudanças, e… traz novidades. E por que isso é importante? Porque nos deixamos facilmente seduzir pelos padrões, identidades e “verdades” estabelecidas.

O presente inantecipável, no entanto, é o presente que cria. Aqui está um elemento importante. O presente é vivo. Com todas as suas complexidades, e mesmo não sendo o “futuro” que foi desejado um dia, ele é vivo. E por ser vivo ele cria. Todas as possibilidades estão nele. O olhar para o presente, portanto, mais do que propor essa ou aquela solução, propõe exatamente a problematização do que se apresenta. Ou seja, a analítica do presente não consiste em descobrir o que já existe, mas descobrir outros caminhos, mundos e jeitos de viver. Exatamente por nos impor pressões violentas o presente nos oferece a chance de pensar “fora do quadrado”.

Para todos aqueles que de um modo ou de outro se sentem convocados a agir frente aos acontecimentos históricos, o presente mais do que qualquer outra coisa precisará ser o norteador das estratégias e das ferramentas que usaremos para que nossas ações tenham uma eficácia sobre as realidades que demandam nossas ações. E a posse desses instrumentos, a elaboração das estratégias se dará pela indagação sobre a atualidade e pela crítica a nós mesmos. Como somos quem somos? Como agimos?

Assim, ao invés de soluções, de proposições com base em modelos de ação importa obter antes um tanto a mais de luz que nos encoraje às perguntas: que atualidade é essa na qual estamos inseridos? Que experiências fazemos de nós mesmos nessa atualidade? Onde somos favorecidos ou prejudicados pelos dias atuais? Quais as outras e novas formas de luta a que somos chamados? Que resistências podemos levantar agora? Para que essas indagações nos remetam de fato à análise precisaremos, mesmo que a custo de muito esforço, nos despedir de muitas ideias, e nos predispor a valorização do presente e dos novos pensamentos que ele quer nos suscitar. Mais do que um campo passado, bonito, e saudoso o que importa ao nos colocar em analise (nos permitimos?) é olhar para o presente como o campo das experiências. As experiências só podem acontecer no presente. O presente é o campo das experiências possíveis.

Dauri Batisti
Padre, Psicólogo e Mestre em Psicologia Institucional

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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