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“Aqueles que viram e acreditaram”

No Quinto Domingo da Quaresma, um grupo de gregos é levado a Jesus, depois de manifestarem seu desejo a Felipe: “Queremos ver Jesus” (Jo 12,21). Esses homens, segundo o Evangelho de João, tinham ido a Jerusalém para a Festa da Páscoa dos judeus, a fim de adorarem a Deus. A quem procuravam? O que desejavam encontrar? O que buscavam? O pedido é simples e direto: “Queremos ver Jesus”.

Já no Domingo de Páscoa, mais uma vez, o Evangelho de João nos presenteia com uma maravilhosa cena, na qual Pedro e o discípulo amado correm ao sepulcro com a notícia que o Senhor não estava mais no túmulo (Jo 20,1-9). Neste caso, o discípulo amado entra no túmulo vazio, depois de Pedro, assim, ele vê e acredita na Ressurreição do Senhor. O verbo que aparece, indicando a ação de ver do discípulo amado foi o mesmo utilizado na descrição do desejo dos gregos de verem Jesus.

Os verbos gregos mais usados para indicar o ato de “ver” são dois: um deles diz respeito simplesmente ao gesto de ver, o olhar comum, isto é, o modo como vemos as coisas. O outro, por sua vez, exprime um olhar profundo, como o ato de contemplar, ou seja, expressa uma ação que vai além das aparências, como o ato de perscrutar os corações das pessoas, um olhar em profundidade. Esse segundo verbo é o que encontramos em ambos os textos do Evangelho de João acima referidos, isto é, o evangelista deixa claro que tanto os gregos, quanto o discípulo amado queriam ver e viram o coração de Cristo, queriam vê-Lo em profundidade, ansiavam por fazer a experiência de sua Ressurreição e desejavam também serem vistos por Ele da mesma forma.

Ao buscarem Jesus, os gregos encontram o Senhor que lhes fala de sua morte, por meio da imagem do grão de trigo que se abandona e morre, a fim de que outros grãos pudessem nascer e crescer. Ele fala de sua entrega na cruz, de seu serviço gratuito pela salvação de todos e de como a sua morte faria nascer, pela fé, novos filhos e filhas de Deus. Jesus é o verdadeiro grão de trigo que se entrega, para que os novos filhos e filhas de Deus, os novos grãos de trigo, possam ter a vida nova em comunhão com o Pai. Ao irem até Jesus, os gregos encontraram alguém capaz de uma entrega total e sem limites e, por isso, foram levados a contemplar o coração aberto de Cristo, cheio da compaixão que o movia em todos os seus gestos e sinais.

Da mesma forma, o discípulo amado ao entrar no sepulcro vazio busca Aquele que o amava, a quem ele tinha entregue a vida no seguimento do discipulado. No olhar profundo da experiência de fé, ele é capaz de ver além das aparências, consegue contemplar uma realidade mais ampla que aponta para a vida que supera a morte, para a ressurreição do Senhor. O olhar do discípulo amado é iluminado pelo gesto da entrega na cruz, que não se resumiu na noite da morte do Senhor, mas que se abriu para a luz do dia feliz da Páscoa da ressurreição. Também ao discípulo amado o grão de trigo é apresentado em toda a sua entrega, como também em toda a sua vitalidade e vitória sobre a morte e as trevas.

Aos cristãos de hoje é oferecida uma grande e importante tarefa, um grande desafio: o de indicar, mostrar Jesus, fazer com que as pessoas sejam capazes de encontrar Aquele que procuram, como o fizeram os gregos e o discípulo amado.

Qual é a resposta que se pode dar quando as pessoas se apresentam procurando Jesus? O que lhes é oferecido? Nesses momentos as palavras perdem o seu sentido e seu valor, somente o amor gratuito e compassivo de Cristo gravado, como uma nova Lei no coração dos discípulos, pode mostrar o próprio Senhor a todos aqueles que o procuram. O que atrai os homens e mulheres ainda hoje ao Cristianismo é o amor total de Cristo e sua entrega na cruz, principalmente quando esse amor é vivido e praticado pelos cristãos. Este é o espaço onde nascem os novos grãos de trigo, os novos cristãos e os novos discípulos amados. Quando as pessoas pedirem “Queremos ver Jesus”, que o Senhor nos ajude a ser sinais de seu amor compassivo e infinito, um amor que se doa e sabe servir, a fim de que, ao contemplarem tal gesto de acolhida e doação, sejam conduzidos a professarem a fé como discípulos amados do Senhor.

Pe. Andherson Franklin

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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