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Abençoados pela Mãe Aparecida

O sentimento dos fiéis da Arquidiocese de Vitória é, ‘estamos abençoadaos’, quando se fala da visita da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Ela percorreu todas as áreas pastorais, passou em todas as paróquias e comunidades da região metropolitana e do interior e está em suas últimas visitas pelos bairros da capital.

Se a proposta do Santuário Nacional era de celebrar 300 anos de bênçãos, então, podemos afirmar que a arquidiocese ‘entrou no clima’!

Os relatos da visita são impressionantes porque em cada lugar a experiência foi particular e diferente, mas foi a mesma fé e a mesma devoção que pairou em todos os corações.

A imagem peregrina chegou no dia 5 de janeiro. Foram 6 meses ‘de bençãos’! A narração de quem acompanhou e recebeu a visita da imagem peregrina comove, emociona e ao mesmo tempo reacende a chama filial e maternal da fé. Os detentos do presídio de segurança máxima em Viana receberam a visita da imagem nos dias em que ela estava na paróquia Santíssima Trindade em Vila Capixaba, Cariacica. Padre Paulo Sérgio Vaillant descreve com detalhes a reação dos presidiários e do diretor do presídio: “a ida ao presídio foi considerada o ponto alto da visita de Nossa Senhora à nossa paróquia. Em conversa com o diretor do presídio, ele perguntou, ‘é possível trazer a imagem aqui’? Nesse momento decidimos levar. Fomos com a imagem no andor e, diferente de outras visitas, quando o presídio libera de 10 a 12 detentos por ala, fomos surpreendidos quando foi dado o comando para que todos eles pudessem participar. Foi uma emoção muito forte ouvir o barulho das portas se abrindo e os presos descendo. Eles falaram, cantaram, rezaram e não queriam que a imagem saísse de lá. A um certo ponto o diretor veio falar conosco que eles pediram para carregar o andor dentro do pátio, e foi outra grande emoção ao vermos como eles fizeram com toda a devoção. Não queriam que a imagem fosse embora e tivemos dificuldade em ter que partir, mas percebemos o quanto essa visita serviu também para fortalecer nossa relação e amizade com os funcionários e principalmente a nossa credibilidade junto aos encarcerados. Posso dizer que foi uma visita maternal, emocionante. A presença da imagem revelou uma dimensão que poucas pessoas experimentam de Deus, que é o lado materno de Deus, a presença maternal de Deus. Hoje quando a gente fala de Maria na visita eles mesmos puxam a oração da Ave Maria para rezar após o Pai Nosso”.

Sentir essa presença materna foi também a experiência dos fiéis na paróquia Nossa Senhora de Fátima em Pedra Azul. “Eu estava em cima do carro em pé ao lado de Nossa Senhora e sentia a presença dela pela reação das pessoas. As pessoas se manifestavam, se benziam, acenavam. Essa fé que o povo tem em Maria foi marcando toda a visita. Uma senhora dizia: ‘na presença da imagem eu me sinto em casa’, disse Madalena Mazocco e Lair Cebin da mesma paróquia, chorando de emoção dizia: “a gente percebia que diante da imagem as pessoas se comportavam como se estivessem na presença de Nossa Senhora, tamanha era a emoção de estarem ali pertinho dela. Foi muito emocionante!”. Para exemplificar melhor, Lair contou como foi a chegada da imagem à comunidade matriz: “como ia chegar à noite a gente ia fazer só uma celebração, mas o povo começou a ligar e pedir se não poderia ter missa, então nós perguntamos ao nosso pároco e ele disse que sim. Nós ficamos preocupados por ser à noite e pensamos que vinham só os daqui, mas que nada, o povo foi chegando, chegando e a igreja estava cheia. Teve gente a noite toda. Nós tínhamos organizado os grupos e os horários, mas todo o mundo ficou a noite toda. Foi o momento que mais juntou gente na nossa paróquia e se ficasse aqui 15 dias teria gente sempre. Ninguém queria se separar”.

Não querer se separar é coisa de família mesmo e foi assim que a comunidade entendeu o imprevisto que aconteceu com os bombeiros. A paróquia fez contato e acertou tudo para que o carro do Corpo de Bombeiros conduzisse a imagem até Brejetuba. No dia combinado os bombeiros trocaram a data e não compareceram. Lair, Madalena e Neide Péterle Módolo que ficaram três dias e três noites carregando a imagem de carro (Neide era a motorista) e só voltaram para casa quando a imagem foi entregue em Brejetuba, até se dispuseram a continuar essa missão, mas era ‘perigoso pegar o asfalto’, então decidiram que a imagem iria no ônibus com a comunidade e sabe como elas e todos os fiéis interpretaram o acontecido? “O povo acolheu Nossa Senhora tão bem que ela quis ir com o povo”, afirmam as três quase fazendo um coro. Em Pedra Azul a visita da imagem peregrina foi marcada por outro fato que provocou reações de espanto e ao mesmo tempo ‘de medo’ temporário, principalmente para Neide, a motorista. Quando seguiam para a menor comunidade da paróquia (Nossa Senhora do Bom Parto), um cavalo começou a correr em direção à cerca. “Eu fiquei com medo porque pensei que ele ia derrubar a cerca e ia ser um desastre. Na volta da comunidade dois cavalos de novo se aproximaram da cerca e, seguidos pelo gado, acompanharam o percurso do carro que carregava a imagem. Do outro lado tinha um pasto sem cerca e de lá o gado também começou a seguir o carro da imagem formando um corredor. Eu quase parei o carro de tão devagar. Foi muito impressionante e lindo para a Madalena e a Lair que estavam em cima do carro, foi de arrepiar”, contou Neide que mesmo arrepiada com o fato e com medo por estar dirigindo, diz que esse foi um dos momentos que guardará para sempre. E como a região tem muitos pássaros eles também se juntaram em revoadas e acompanharam a imagem em alguns trajetos, conforme constatou Madalena. Mas, o que realmente impressionou Madalena foi a fé das pessoas que “se aproximavam, tiravam o chapéu, buzinavam nos trechos de asfalto, chegavam perto e demonstravam de alguma maneira que percebiam que ali acontecia alguma coisa diferente”. Para Madalena a presença dos padres João e Valter em todas as comunidades foi muito boa para eles e para a comunidade porque fortaleceu o sentido de paróquia que tem apenas dez anos.

Em Alfredo Chaves, o pároco padre Diego, também se emocionou e sentiu na visita da imagem de Nossa Senhora que essa foi uma forma que Deus encontrou para os visitar. “Sabíamos que não era uma visita qualquer, sabíamos que Deus, por meio da Virgem Maria, estava reservando para nós dias de bênçãos e emoções, disse ele e continuou seu testemunho: “a emoção tomou conta do meu coração, como também dos fiéis que estavam esperando a chegada da Imagem quando fomos surpreendidos pelos fogos que anunciavam a entrada Triunfal da pequena Imagem, que quase se perdia entre as flores e as crianças vestidas de anjos e recebemos das mãos do Padre Ivo – Jesuíta – a Imagem Peregrina de Nossa Senhora Aparecida para visitar nossa paróquia. Depois, na igreja matriz o povo permaneceu em vigília, rezou e meditou o Santo Terço. Mas a imagem não ficou somente na Igreja. Maria queria ir ao encontro do povo, ir aos corações, ir ao encontro dos seus filhos…. Assim, iniciamos a visita da Imagem aos setores. Parecia feriado, Dia Santo… O povo aguardava nas estradas, procissões se formavam, joelhos se dobravam, mãos se levantavam, era possível ver nos olhos do povo a confiança de que suas preces seriam ouvidas, por meio de Maria, assim como ela o fez em Caná da Galileia”.

Padre Diego destacou dois momentos especiais da visita: um grupo de mães da comunidade São José de Anchieta que, com lágrimas nos olhos, em torno da imagem rezaram pelos filhos falecidos, enxugadas pela voz de padre Vitor Coelho rezando, transmitido pela Rádio Aparecida e a visita ao Lar dos Idosos quando Dona Maria Teles disse: “Nossa Senhora Aparecida, não se esqueceu de nós, mas veio aqui nos visitar…”. E padre Diego acrescenta: “Poderá acaso a Mãe esquecer dos seus filhos”?

A Mãe não esquece, não padre Diego, é o que experimentou Érica Gomes de Jacaraípe quando diz: “hoje eu sou católica por intercessão de Nossa Senhora”. Ela contou que encontrou um namorado católico e ele não entendia porque Deus lhe dera uma namorada protestante, mas que aos poucos ela foi conhecendo e aprendendo a amar Nossa Senhora. Mas a Érica contou com outra ajuda além do namorado. A mãe dela confiou a cirurgia grave que sua irmã precisou fazer a Nossa Senhora e prometeu que levaria a filha, se ela vivesse, ao Santuário de Aparecida, mas não tinha conseguido cumprir a promessa. Para Érica, a mãe e a irmã, Nossa Senhora veio até elas. “ali foi um momento muito único. A gente estava cumprindo aquela promessa”, disse feliz por ter engravidado logo após a visita de Nossa Senhora à comunidade Santa Luzia em Jacaraípe.

Nossa Senhora Aparecida trouxe bênçãos, provocou momentos de encontro, de oração, sentimentos de bem e de paz. Deixou conforto, enxugou lágrimas, fortaleceu a fé e também levou algumas coisas.

Irinéia Ferrari, também de Jacaraípe deixou seu testemunho e também fez uma síntese dos sentimentos que ficam na Arquidiocese de Vitória após esta visita: “Nossa Senhora me deu uma bênção muito grande porque há 30 anos eu fumava e após essa passagem ela levou meu cigarro embora. O dia 28 de abril vai ficar marcado para mim, porque nem sentir falta mais eu sinto. Eu vinha tentando parar de fumar há dois anos e não conseguia. Resolvi entregar a ela a minha vontade de parar de fumar, pois sabia que não ficaria desamparada, então foi uma bênção muito grande. O momento mais marcante foi quando ela chegou aqui na Comunidade Santo Antônio de Pádua. Eu fui lá na comunidade Sagrado Coração descer junto com ela, para mim isso foi especial. A imagem só deixou coisas boas por onde passou, por todas as comunidades, as pessoas se unindo cada vez mais e todas recebendo as suas bênçãos.  Eu sou devota de Nossa Senhora Aparecida desde menina, é até difícil, eu não sei expressar em palavras esse sentimento, porque ficam todas as coisas mais belas dessa devoção”.

Com a Irinéia, a Érica, padre Diego, Neide, Madalena, Lair e padre Paulo Sérgio, todos os católicos da Arquidiocese de Vitória podem dizer hoje: FOMOS ABENÇOADOS PELA MÃE APARECIDA!

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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