buscar
por

A necessidade e o valor da santidade cotidiana

A dedicação da Basílica de Santa Maria aos Mártires no dia 13 de Maio de 609, pelo papa Bonifácio IV, consagrava o Pantheon, templo pagão, como lugar onde se celebrava a vitória heroica dos mártires da fé. Sendo assim, num primeiro momento a santidade era reconhecida na vida daqueles e daquelas que venceram as perseguições e, doando o seu próprio sangue, foram fiéis ao Evangelho de Cristo. Com o cessar das perseguições aos cristãos, nasce um novo tipo de santidade, isto é, a imitação de Cristo, encontrada na prática heróica das virtudes do Evangelho. Sendo assim, a festa de todos os santos passa a ser celebrada no dia primeiro de novembro e nela são incluídos os mártires e também os confessores.

A santidade de vida é um chamado que se recebe no batismo e que se traduz na vivência dos valores do Evangelho. Desse modo, a santidade apresentada e celebrada na liturgia de todos os santos, não é a de uma perfeição impossível de ser alcançada, mas, um chamado e uma vocação que pertence a todos aqueles que se unem a Cristo. A santidade não expressa somente um olhar otimista sobre a vida e sobre a história, mas, é um convite à esperança que não decepciona e que faz reencontrar a medida da vida a partir de Cristo. Ela não é um chamado dirigido ou uma tarefa pedida aos poucos e valorosos heróis, mas, parte integrante da vida cotidiana de homens e mulheres, pessoas de todas as idades e lugares. Isto é, cristãos, chamados a ser discípulos de Cristo que sem grandes rumores e sinais, nos momentos bons e difíceis da vida, acolheram a sua vocação batismal e a vivem intensamente. Estes fazem todo o esforço possível para, em todas as circunstâncias da vida,  amarem a Deus e ao próximo como lhes foi pedido pelo próprio Senhor.

Numa sociedade onde ainda se encontram alguns valores contrários à vida é urgente a presença de verdadeiros santos e santas, homens e mulheres marcados por uma experiência de fé que os caracterize como cristãos. Sendo algo tão necessário e, ao mesmo tempo, parte da vocação batismal, isto é, essencial na vida de todos os batizados, a santidade cotidiana pode passar desapercebida e, até mesmo, ser desconsiderada. Todavia, é essa santidade que faz com que o mundo seja marcado pelos valores do Evangelho, que seja cada vez mais justo e solidário, tornando-se casa de Deus e casa dos homens. Uma santidade do dia a dia, mergulhada nas questões próprias do mundo contemporâneo, por vezes não vista, mas como um bom fermento capaz de fermentar a massa, fazendo crescer o Reino de Deus no mundo.

Ainda hoje, muitos cristãos no mundo inteiro são mortos por professarem a sua fé e por defenderem a vida em todas as suas formas. Suas vidas, marcadas pela Palavra de Deus e sensíveis aos apelos dos irmãos e irmãs que ainda passam por situações de exclusão e miséria, são sinais do Reino. O seu compromisso com a fé os faz santos do cotidiano, santos do nosso tempo, santos necessários hoje em dia. Que o Senhor continue fazendo surgir, pela força do Seu Espírito Santo, novos santos e santas, homens e mulheres sustentados pela graça de Deus e marcados por uma santidade fecunda e profética.

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura

editor1

Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

Mais posts do autor

COMENTÁRIOS