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A INTERRUPÇÃO DA VIDA NA ÁREA RURAL

Com o aumento da população mundial e a crescente demanda por alimentos, têm ocorrido mudanças no tipo de agricultura o que requer um sistema complexo, que envolve cultivo, transporte, estocagem e processamento de produtos agrícolas, o que faz exigir um rendimento maior em cada uma dessas etapas e também um controle mais eficiente nos diferentes vetores de diversas doenças.

Para tanto, têm sido empregados diferentes agrotóxicos que, apesar de eficientes, geralmente acarretam problemas conhecidos. Fazendo com que ocorra um consumo excessivo de agrotóxicos nos países em desenvolvimento, principalmente na América Latina e, na maioria dos casos, não existe controle eficaz sobre a venda e o uso desses produtos; os equipamentos de proteção não são usados rotineiramente, não há monitoramento da exposição ocupacional e o diagnóstico dos casos de intoxicação é difícil, pois os sintomas são comuns a várias doenças. O Brasil é o terceiro mercado e o oitavo maior consumidor de agrotóxicos por hectare no mundo, sendo os herbicidas e inseticidas responsáveis por 60,0% dos produtos comercializados no país.

A depressão é um achado constante dentre os suicidas. A associação entre exposição à agrotóxica e o surgimento de problemas mentais tem se mostrado já bem estabelecida. Como as taxas de suicídio aumentaram em áreas rurais no Brasil, postulou-se que a exposição a pesticidas pode desempenhar um papel neste fenômeno.

Pesquisas recentes descrevem que o uso de agrotóxicos, como os organofosforados, aumentam as chances de depressão dos agricultores. A situação é ainda mais grave levando-se em conta que boa parte dos trabalhadores rurais inicia sua vida laboral ainda na infância, o que aumenta seu tempo de exposição a agrotóxicos. Além disso, o silêncio dos agricultores sobre o tema agrava o quadro. Esse cenário é ainda mais depreciativo pelas condições econômicas nas quais se dá, visto que, muitos trabalhadores rurais têm a família envolvida no trabalho, no qual não é protegido por qualquer lei laboral. De outro lado, os produtores devem se planejar para que sobrevivam com o dinheiro ganho ao longo do ano. Esse modelo acaba por gerar endividamento dos camponeses. Aliadas à depressão, o montante de dívidas favorece o suicídio como forma trágica de se libertar desse contexto. E ainda, devido à falta de informação e conhecimento, os trabalhadores buscam o álcool como escape, prejudicando o quadro depressivo.

Entender essa associação é fundamental para as políticas públicas de proteção da saúde dos trabalhadores, sobretudo aos agricultores, se efetivem. Além do uso de equipamentos de proteção individual e medidas coletivas. Embora a conscientização seja de extrema relevância na intervenção sobre os suicídios, restrições normativas também são interessantes. Quando as condições do trabalho não estão ergonomicamente adequadas os prejuízos são para toda a sociedade. Visto que quando uma pessoa ligada intimamente a alguém comete suicídio em torno de seis a dez pessoas são afetadas de alguma forma.

Patrícia Jacob
Pós-graduada em Psicologia

 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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