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A escolha não foi minha

A partir desta edição, teremos na Revista Vitória uma editoria com a participação do personagem Júlio Ponte Preta. Os textos vão revelar os pensamentos de Júlio sobre as questões cotidianas, propondo ao leitor a possibilidade de identificar-se e refletir sobre elas.

Manhã de segunda feira pós-eleição e Júlio estava em completo luto.
Na véspera, antes mesmo de sair o resultado final ele já bradava que a partir de agora a culpa não era dele, já que tinha votado no outro. No caminho para o trabalho os diálogos no ônibus não ajudavam:

- Ganhamos!
- Eles se deram mal.
- Quero ver agora o que irão falar.
- Não importa, acabou a eleição. Não tem mais o que falar.

Isto o decepcionava imensamente. As pessoas acham que o processo democrático acabava com o voto e para ele isto talvez fosse o motivo desta bagunça toda. Durante o dia os colegas mais revoltados davam a tônica do que achavam o melhor caminho:

- Não podemos aceitar isto.
- Vamos resistir.
- Vamos ser oposição.
- A democracia tem que prevalecer.

Concordava em ser oposição, mas não queria questionar o resultado. Para ele se foi no voto foi democrático por mais que a escolha o incomodasse. Aliás para ele não existia nada mais democrático do que isto. Chegou a comentar que “Ganhar e perder faz parte da democracia”, e foi bombardeado:

- Não é hora de poesia.
- Quatro anos é muito tempo para uma escolha errada.

Calou-se. Estava cansado de discutir. A noite foi para casa e já foi recebido com perguntas sobre como estava o clima pela cidade. “O mesmo de sempre dos últimos anos”, pensou. Percebeu que não estava mais de luto e sim cansado. Por onde ia só ouvia:

- Viu a besteira que ele fez agora?
- Não disse que não iria dar certo?
- Vocês estão torcendo contra.
- Estamos todos no mesmo barco…

Calma, ele pensava. O homem nem assumiu ainda e o povo fica debatendo especulações.

“Quer saber? Vou esperar janeiro e as primeiras medidas
para aí sim me decidir como vou me portar”, afirmou.

Assim viveu feliz por um tempo, ou pelo menos até janeiro.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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