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A comunhão do amor e a formação dos discípulos missionários

caminhos da bíblia

A humanidade é acolhida no coração do mistério de Deus, diante de sua majestade e grandeza, ao mesmo tempo que é acolhida em sua intimidade e amor. Deus é o totalmente outro, aquele que por sua santidade é reverenciado, mas ao mesmo tempo é o totalmente próximo, que por seu amor se deixa encontrar por todos. Em toda a Sagrada Escritura, particularmente no Primeiro Testamento, encontra-se o convite a viver na presença de Deus, diante da face de Deus. De fato, tal convite expressa o desejo de Deus de que os seus vivam em sua presença, mesmo marcados pela contínua busca daquele que, por vezes, aparentemente, está ausente. Nessa contínua busca, entre a ausência fecunda e a presença manifesta de Deus, é que o fiel é chamado a viver.

Em todo o seu caminhar, o povo de Israel manifesta o seu desejo de caminhar com o Senhor, ao mesmo tempo que pede a sua companhia apesar de seus pecados. A alegria do encontro, nessa busca constante da face de Deus, enche os corações daqueles que continuam na busca do Senhor. Tal comunhão é possível graças à fidelidade divina de um Deus que é sempre fiel à sua Palavra e às suas promessas. Por isso, é possível ao homem, apesar de seus pecados e transgressões, viver na presença de seu Criador, caminhar diante da face de Deus. A garantia que o homem tem de sempre ser acolhido diante de Deus é a sua fidelidade, isto é, Deus não pode rejeitar o seu povo, sendo que decidiu escolhê-lo para si como herança. Nesse caso, às vezes que o povo eleva ao Senhor o seu pedido de guia e presença constantes revelam uma permanente recordação, não para Deus, apesar de ser uma oração a ele dirigida mas, sobretudo, ao povo a fim de que, jamais se esqueça que será sempre acompanhado pela face amorosa de Deus.

O amor fiel de Deus, presente em todo o caminhar de Israel, é confirmado na pessoa de Jesus de Nazaré, em sua missão e em sua compaixão que salva e não condena. Nas ações de Jesus se manifesta o mistério do insondável e infinito amor divino, que ultrapassa toda a compreensão humana e vai além dos limites esperados. De fato, força do amor, presente em toda a vida de Jesus, coloca-o como razão primeira da acolhida dos pecadores e a busca dos doentes e pobres. Em todas as passagens dos Evangelhos, as ações de Jesus, seu cuidado para com os pequenos e pobres, os doentes e pecadores, manifestam claramente o amor do Pai. “Quem me vê, vê o pai”, disse Jesus a Felipe. Isto é, o amor com o qual Ele amou os seus que estavam no mundo, amando-os até o fim, foi o mesmo amor que Ele recebeu do Pai. Jesus comunica aos seus discípulos a intimidade do Pai quando manifesta o seu amor sempre fiel e constante, apesar dos pecados e transgressões de seus filhos.

Na relação de intimidade com Jesus e na comunhão vivida em seu amor derramado abundantemente nos corações de seus discípulos, é que os mesmos são formados no caminho da salvação. Ou seja, abraçam o seu seguimento na certeza de que sempre serão acompanhados por esse amor maior e infinito, que supera e apaga totalmente toda a culpa daqueles que a Ele se unem. Os discípulos de Jesus são introduzidos na intimidade e comunhão plena com o Pai, por meio do seguimento de seu Filho. Nessa relação de amizade com o Mestre, os mesmos discípulos passam a ser sinais desse amor recebido, comunicando aos outros os frutos da comunhão nesse amor que salva e não condena.

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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