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48 horas

Sou da época em que tinha na escola a Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil. Na inocência da minha pouca idade não considerava uma doutrinação e ainda hoje não considero, pois ainda acredito ser dono dos meus próprios pensamentos, apesar de reconhecer uma série de influências como televisão, amigos, parentes, internet e Igreja, que no meu entender são normais em uma sociedade, desde que eu mantenha meu senso crítico.

Há quem diga que o brasileiro não é patriota, pois não hasteamos bandeiras no quintal, não adoramos guerras e nem menosprezamos outros países como os norte americanos. Mas não compartilho disto, apesar do brasileiro em geral só mostrar orgulhoso e vestir a verde amarelo em época de Copa do Mundo ou quando vai protestar pelo direito de perder os direitos, sei que temos orgulho do nosso país e queremos fazer a nossa parte para que todos sejam bem acolhidos por esta nação.

Esta manhã senti o peso de querer um país melhor. As mãos suavam frio, os pensamentos estavam meio embaralhados e o corpo todo trêmulo… Foi um dia longo, na verdade dois, mas o que são 48 horas perante a proteção de todo o meio ambiente? Se este pequeno sacrifício de 2880 minutos pode ajudar a manter o verde de nossa bandeira e garantir nossa soberania, como não fazer a minha parte? Fico imaginando todo mal que, mesmo sem querer, causei indo duas ou mais vezes por dia, todos os dias da minha vida até ter ouvido o sábio conselho do presidente.

Apesar de alquebrado e fragilizado me sinto um vitorioso, pois já se passaram o 172.800 segundos e agora finalmente posso ir ao banheiro. Suado e bem vagarosamente vou me apoiando nas paredes no trajeto entre meu quarto e o banheiro, trajeto que nunca me pareceu tão longo. Viro a maçaneta com a disposição de um piloto de fórmula 1 virando a última curva antes da bandeirada final, mas no auge da expectativa e da frustração a porta estava trancada. Em uma mistura de indignação e desespero bato na porta perante uma situação fora de controle.

Lá de dentro só ouço: “calma aí, Julinho. Acabei de entrar”. Sem forças e derrotado deixo meu corpo escorregar pela parede até o chão e só consegui pensar: “ah meu presidente”.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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