buscar
por

Sínodo para Amazônia: primeira semana de trabalho

Encerrada a primeira semana de trabalho, Dom Cláudio Hummes que é o relator geral do Sínodo, explicou que os participantes não estão ali como se estivessem num parlamento votando para ver quem ganha. A Igreja conduzida por Francisco aponta sempre para a necessidade de uma comunhão de ideias. Por isso, de maneira bem rigorosa ele nos diz após esse momento que diante das críticas é preciso ignorar quem insulta, quem mente e quem agride. Ninguém deve perder a coragem de caminhar com a Igreja. É preciso ter coragem de permanecer nessa barca em mares revoltos confiando sempre no timoneiro, sucessor de Pedro.
Nas redes sociais é muito fácil perceber o nível de agressividade e insulto de uma parcela que não compreende sequer o que é um sínodo e qual sua importância ao longo da história. Ainda Dom Cláudio nos orienta para que o nosso caminhar seja sempre fiel à verdadeira tradição e não ao tradicionalismo que permanece preso ao passado. A verdadeira tradição é a história viva da Igreja que passa de geração em geração sendo acolhida como compreensão e vivência da fé em Jesus Cristo. O tradicionalismo vive dos dogmatismos excludentes. Então cada um de nós é chamado a enriquecer a verdadeira tradição recebida com a própria vivência e compreensão da mesma fé em Jesus Cristo.
A primeira semana de trabalho foi marcada pela dinâmica da partilha, da escuta e na continuidade de aprofundamento dos temas presentes no Instrumento de Trabalho. A tônica que marca a vivência sinodal é sempre de uma experiência muito serena de partilha, respeito e profundidade. O papa João XXIII dizia que “gostaria que seu pontificado restaurasse a colegialidade da Igreja”. O que nos apresenta o papa Francisco está perfeitamente nessa direção. Trata-se de um princípio para toda a vida eclesial. Aqui reside um dos maiores ensinamentos deste Sínodo, a vivência colegial, a vida sinodal. Assim o Sínodo da Amazônia torna-se uma questão para toda a Igreja e não apenas para aquela região.
A primeira semana do Sínodo não poderia terminar de forma melhor. No domingo, foi canonizada a Irmã Dulce, agora denominada de Santa Dulce dos Pobres. Junto dela outros novos santos e beatos que estão a caminho da canonização também. Há um ano atrás, o mesmo papa canonizava Dom Oscar Romero, também conhecido como “A voz dos que não tem voz”. Este entregou sua vida pelo povo de El Salvador, sendo assassinado durante a missa por um atirador de elite do exército salvadorenho. E ao próprio Sínodo foi solicitado que o mártir Padre Ezequiel Ramin se tornasse seu padroeiro.
O gesto eclesial de canonizar pessoas que testemunharam sua fé expressa de maneira santa qual o papel dos batizados na Igreja. Não se trata de se ter um estandarte para desfilar, mas a memória de alguém que esteve assim tão perto do povo que a própria vida era integralmente entregue a esse mesmo povo. Por isso, o Papa nos pede uma “aproximação cuidadosa aos povos da Amazônia”, respeitando sua história, suas culturas e seus estilos de vida. O compromisso de tantos defensores do povo e seu ambiente tem produzido muitos mártires. Alguns serão colocados nos altares mas muitos outros ficarão na memória do povo sofrido.
O Sínodo assim mostra na primeira semana que a periferia da Igreja chega ao grande centro, Roma. É acolhida dignamente nesse lugar. E a partir daí vai provocando mudanças pelo mundo a fora. Por outro lado, o que se apresenta nesse evento eclesial mostra a Amazônia como uma diversidade de povos, de culturas e de biodiversidades. Como consequência disso, há uma pluralidade de temas que se apresentam de maneira muito particular. Sem imposições e sem dogmatismos. As questões são apresentadas. E o Espírito vai iluminando o caminho a ser perseguido. O clima de respeito e acolhida se abre para o momento de pensar, de rezar, de meditar e de discernir. O caminho eclesial do Sínodo segue esse ritmo conduzido como se fosse uma barca guiada pelo timoneiro Francisco.

COMENTÁRIOS