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Será que boa parte da imprensa não está precisando de médico analista?

Boa parte da imprensa brasileira está acometida por um grave estado patológico generalizado. A síndrome começa atacando o cérebro. Seleciona as notícias. Omite o que vai contra seus
interesses. Lembra bem dos fatos do passado, mas não recorda os mais recentes. Diz que é
imparcial, mas é surda à opinião da outra parte. Tem perca de memória quando se trata de
entrevistar os que têm opinião contrária, distorce os fatos, não tem autonomia e depende
cada vez mais do poder econômico de seus patrocinadores. Um bom médico diria que está
com síndrome de Alzheimer.

Como não bastasse, também a vista está cada vez mais prejudicada. Provavelmente os olhos de
alguns jornalistas estão com cataratas. “Multidões de manifestantes”, sobretudo quando
reivindicam a manutenção dos direitos duramente conquistados, são enxergados como
“grupos”. Seus atos pacíficos e ordeiros quase sempre passam em segundo plano para dar
espaço aos poucos e insignificantes “atos de violência”.

No dia de greve geral, o caótico trânsito das metrópoles brasileiras de repente se torna tranquilo. As linhas de metrô e os ônibus do transporte público que, nunca funcionam dentro dos limites da normalidade, passam a funcionar normalmente. Dá até vontade de propor uma greve geral permanente visto que os serviços, segundo este jornalismo doentio, parecem melhorar.

Boa parte da imprensa sofre também de distúrbio de personalidade. Há jornalistas que
encarnam o pregador e dão lições de moral. Se fechar os olhos, durante certos noticiários,
você fica com a impressão de estar numa igreja ouvindo um sermão a cada notícia. Não faltam
aqueles que se acham policiais, investigadores, promotores de justiça e juízes.

Estes conseguem sozinhos, nos poucos segundo a sua disposição, fazer aquilo que no sistema do estado de direito deveria ser cumprido por vários atores num período razoável de tempo. Não satisfeitos, encarregam-se até de aplicar a pena, tendo uma queda especial para aquelas mais cruéis, como a tortura e a pena de morte.

Para completar o quadro, temos que aguentar também a obsessão pelo escabroso, a
“síndrome do vampiro” e sua sede de sangue; a “síndrome do urubu” e a fome de “carniça”, o
prazer pelo “barraco ao vivo”… e, por finalizar, a tara pelos escândalos sexuais. O exemplo
atual é a denúncia que envolve um famoso jogador de futebol.

Dezenas de jornalistas e várias horas de noticiários estão sendo dedicadas para caçar e narrar nos mínimos detalhes um fato que, independentemente dos envolvidos e dos resultados das investigações, não tem direito de ocupar todo esse espaço na mídia, sobretudo quando não ajuda a provocar um séria reflexão, mas alimenta somente a baixaria.

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