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Obrigado a todas as pessoas que manifestaram preocupação com nossas famílias na Europa

Apesar de sua paixão pela missão fora de seus países de origem, o missionário e a missionária nunca perdem seu vínculo afetivo com a terra de origem, pois foi aí que foram gerados à vida, regenerados na fé pelo testemunho de seus caros e, formados à luz dos carismas dos fundadores de suas congregações, prepararam-se para sair rumo às periferias existenciais do mundo para uma partilha enriquecedora de experiências de fé.

A ligação com a terra de origem torna-se ainda mais intensa, sobretudo quando ela atravessa momentos difíceis que geram sofrimento para suas famílias, seus amigos e à população em geral.

Refiro-me nesse momento àquilo que vários países europeus estão vivendo por causa da emergência do Covid 19. No meu caso específico, estou pensando à minha querida Itália onde o vírus, há várias semanas, vem deixando um dramático rastro de sofrimento e de morte, sobretudo entre os mais idosos, colocando em risco uma inteira geração que teve um papel fundamental na transmissão dos valores que forjaram nossas vidas, foi decisiva na reconstrução do país depois de dois dramáticos conflitos mundiais e, reagindo com coragem aos regimes autoritários do século passado, nos doou a possibilidade de viver num país livre e democrático.

Apesar das rápidas mudanças culturais dos últimos tempos, todo mundo sabe da profunda ligação que ainda existe na Itália com os idosos que, nas famílias, ocupam ainda lugar de grande respeito. A morte em massa de avôs e avós, em consequência do vírus, ainda mais dramática pela solidão em que vem acontecendo, representa uma grave perdida. Entre seus perversos resultados, o Covid-19 está arrancando nossas raízes.

Quero agradecer todas as pessoas que não se esqueceram de nós e solidarizaram conosco nesse tempo. Suas carinhosas mensagens são de grande conforto, pois representam um gesto de cuidado conosco que tanto nos faz bem nos momentos de provação. A preocupação pelas nossas famílias de origem confirmou o carinho que vocês têm por nós.

Já provados há semanas pelas dramáticas notícias que vem do outro lado do mundo, agora estamos nos preparando para enfrentar a mesma pandemia nessa terra querida que há anos nos adotou e que, por Graça de Deus, tornou-se para nós uma segunda pátria. O sofrimento passa a dobrar.

No limite das possibilidades procuraremos dar o melhor de nós mesmos para aliviar o sofrimento, sobretudo dos mais fragilizados. Nosso compromisso terá como exemplo os mais de 50 padres, religiosos e religiosas que até agora faleceram na Itália por causa do Covid 19. Ao ler suas histórias, verifiquei que quase todos tinham um histórico de dedicação aos mais pobres.

Apesar da emergência, mesmo com os movimentos reduzidos por causa do isolamento domiciliar, nunca deixaram de marcar presença para ajudar os últimos, assistir os doentes e abençoar os corpos enterrados sem direito a um funeral. Todos eles, como costuma dizer Papa Francisco, morreram com cheiro de ovelhas. Esse testemunho nos orgulha, pois, apesar de todas as críticas contra a Igreja Católica, faz parte de sua milenária história a caridade generosa de homens e mulheres que, em condições sanitárias ainda piores, assistiram e continuam assistindo pessoas atingidas por pandemias muito mais devastadoras.

Através da intercessão destes nossos irmãos e irmãs, Deus nos faça dom do Espírito de discernimento e caridade para encontrarmos formas de serviço nessa emergência, sem descuidar da prevenção.

Em toda a longa e rica experiência da Igreja no Brasil em matéria de Campanhas da Fraternidade, essa se tornou a mais profética de todas e a mais desafiadora, pois nos provoca a ser e a viver na pela o espírito misericordioso do Bom Samaritano. Apesar da dor, o Covid 19 escancara diante de nós uma oportunidade única para resgatar uma humanidade inspirada em Jesus de Nazaré.

Coragem. Solidários/as entre nós e com a força de Deus venceremos também essa batalha.

Com afeto, pe. Xavier Paolillo, Missionário Comboniano

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