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O dilema da economia

Um amigo, não economista, fez um comentário típico de pessoas sensatas, que por não possuírem conhecimento científico em uma área, gostariam de ter a resposta para uma dúvida (os ignorantes dão a sua resposta equivocada). Sua questão era não entender o porquê de haver uma tendência em cascata (d’água) na economia, que quando um empresário, por exemplo, corta gastos e investimentos, o consumidor corta consumo em seguida, ou vice-versa, como se houvesse um acordo entre eles, jogando a economia para a recessão.

A resposta a esta sinergia é simples: ocorre por uma questão psicológica chamada expectativa dos agentes. Estas existem pela convivência entre os empresários e consumidores, fazendo-os ter (ou pensar ter) ciência dos atos alheios, levando-os a se “proteger” a partir do movimento negativo do outro. Ao prever uma queda no consumo, o empresário reduz produção e investimento, e ao primeiro receio de desemprego, a população reduz consumo; quem se moveu primeiro e como reverter este processo negativo, retomando o crescimento da economia?

A solução deste dilema é um dos maiores conflitos entre as duas grandes correntes da teoria econômica nos últimos três séculos, a clássica e a keynesiana. Em linhas gerais, a teoria clássica diz que o próprio mercado atingirá um mínimo (equilíbrio), recuperando-se posteriormente, sem a intervenção do Estado, buscando o melhor patamar para todos os envolvidos (a tal mão invisível).

A keynesiana rebate afirmando que a irracionalidade do mercado jogará a economia num poço sem fundo, havendo a necessidade de intervenção do Estado com políticas econômicas progressivas, sobretudo aumentando seu gasto e demandando serviços e bens dos empresários e das pessoas, alterando as expectativas negativas dos agentes e revertendo a tendência.

Defensor deste segundo posicionamento, cito as intervenções bem sucedidas do governo americano na grande recessão de 1930 e do brasileiro em 2009, quando da crise internacional. Para a presidente eleita no domingo, um dos passos mais importantes neste sentido é a busca da união nacional, comprometida há algum tempo pelo ambiente eleitoral.

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