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Cuidado! Frágil!

Essa etiqueta é muito usada para manusear, transportar e proteger objetos delicados e de valor. A preocupação com os bens materiais é tão importante que recorremos até à contratos de seguro, para que sejam tratados com maior cuidado e seus proprietários sejam devidamente indenizados, em caso de danos e/ou sumiço.

Mas não é isso que acontece quando lidamos com seres humanos frágeis como as crianças. Cuidamos delas de qualquer jeito. Fazemos pouco conto se têm comida todo dia, se moram em habitações precárias e até na rua, se não têm atendimento médico adequado, educação de qualidade, espaços e tempo para brincar.

As transportamos sem preocupação com sua segurança, inclusive nos transportes escolares. Sua fragilidade não basta para convencer juízes a sustar ações de reintegração de posse até encontrar uma solução humana e para impedir que batalhões de soldados fortemente armados as botem na rua até debaixo de chuva.

Sua inocência não é suficiente para controlar os instintos perversos de quem usa e abusa de seus corpos e, através de modas, roupas indecentes, músicas, danças e programas televisivos de discutível qualidade arranca sua simplicidade expondo-as a todo tipo de baixaria.

Seus olhos cheios de lágrimas não conseguem mais comover quem se obstina a assustar, a ameaçar, a chantagear, a bater e a submetê-las a todo tipo de violência. Sua tenra idade não impede que as proibamos de brincar e as forcemos a entrar precocemente no mundo do trabalho com o perverso argumento de que a exploração no trabalho é a unica alternativa ao seu envolvimento na criminalidade.

Sua dor não mobiliza suficientemente a família, a sociedade e o poder público na luta para garantir o necessário para viver com dignidade. Sua morte prematura, sobretudo nas periferias urbanas, ainda não é suficiente para um empenho concreto em prol do desarmamento e do enfrentamento à violência com a construção de uma cultura de paz.

A própria opção do Deus pelas crianças ao ponto de se identificar com elas e de pegar para Si todas as alegrias e as tristezas dos/as pequenos/as não tem sido suficiente para que as crianças sejam tratadas divinamente. O cuidado integral é o presente mais adequado à fragilidade das crianças.

É a condição para que todas as crianças passem sãs e salvas pela experiência da vida.
Felizes os/as adultos/as comprometidos/as com a felicidade das crianças. Felizes as crianças que podem contar com adultos/as atenciosos/as e cuidadosos/as.

 

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