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A vida no ventre importa! Uma mensagem de Natal

Uma das histórias mais admiráveis a respeito do Natal, diz respeito ao encontro do Jesus não nascido com o primo, chamado João Batista, também ainda no ventre de sua mãe. Diz o Evangelho de Lucas (Lc 1,39-56) que Maria faz uma visita a Isabel, ambas grávidas de seus respectivos filhos. Isabel mãe de João Batista encontra, então, Maria, grávida do menino Jesus. O texto diz que quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê se agitou em seu ventre. Aquele que havia sido escolhido por Deus para preparar o caminho ao seu Senhor estava finalmente diante daquele que o preanunciaria. No interior de Isabel, João Batista se move, se mexe de alegria, e Isabel é tomada pelo Espírito Santo.

O primeiro a reconhecer o Cristo vivo foi um bebê ainda no ventre, um feto comunicando graça a outro. O resultado é que Isabel fica cheia do Espírito Santo pela revelação que seu filho, ainda no ventre, recebe de outra criança ainda no ventre. Aquilo que João Batista recebe do bebê ainda não nascido é transmitido diretamente à sua mãe que louva a Deus e conversa ininterruptamente com Maria, sentindo-se indigna de estar diante da mãe do seu Senhor: “Bendita é você entre as mulheres, bendito é o filho que você dará à luz”, diz Isabel.

De forma poética, Isabel reconhece a grandeza daquilo que estava diante dela e percebe-se indigna da presença do Cristo, ainda bebê, dentro de Maria. Tendo em vista a egrégia passagem observada, alguém cujo Espírito Santo recebe, compreende que não é digno do Natal, alguém que recebe o Espírito Santo percebe que não é digno do nascimento de Jesus, a encarnação do verbo é algo que nenhum de nós de fato merece.

O Natal é uma graça, é um favor concedido da parte de Deus. Nenhum de nós merecíamos que Jesus nascesse e transformasse todo o conceito de magnanimidade como nós conhecemos, ou então que construísse uma civilização da qual nos tirasse da barbárie, nos dando um novo contato com o Pai.

Isabel diz que o bebê se moveu em seu ventre, porque se alegrou. Ele que é a alegria dos homens é aquele que nasceu, e nascendo pode consumar a sua obra de ser Deus conosco, trazendo a alegria que é tão celebrada no tempo de Natal, porém deveria sempre fazer parte da existência dos homens que creem em um Cristo que está vivo.

Jesus trouxe um caminho de felicidade aos homens, sendo esta felicidade acessível àqueles que celebram o seu nascimento. Isabel diz que feliz é aquela que crê que se cumprirá aquilo que o Senhor lhe disse. No final das contas, a felicidade em Cristo é dada àqueles que têm fé, para aqueles que acreditam nesse nascimento e celebram o Cristo que veio e que morreu pelos nossos pecados, pela nossa redenção e pela vida eterna daqueles que têm fé nele.

Natal é um tempo de celebrar o nascimento e solenizar tudo aquilo que o nascimento de Cristo nos comunica, em que um feto diz a outro feto que é um Deus eterno e vivo.
Em um tempo no qual bebês dentro de um ventre não significam nada, a primeira comunicação da graça de Cristo ser entre um feto e outro, diz muito sobre como o Natal é um tempo de lembrarmos sobre vidas frágeis, muitas vezes, desprezadas pela nossa cultura.

Uma das mensagens do Natal é que a vida no ventre importa, mas também que uma mãe pode ser cheia do Espírito Santo por aquilo que se move dentro dela. A mensagem do Natal é que o Cristo vivo, já foi feto e morreu carregando consigo a culpabilidade de cada indivíduo, por essa razão celebrar o Natal é celebrar a vida e celebrar a vida é defendê-la desde quando ela começa.

João Pedro Portella

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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