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A década da infraestrutura

A economia brasileira é uma incógnita para boa parte da população, sobretudo pela dificuldade de se entender como o país é o sétimo mais rico do mundo e conviver com fortes desigualdades sociais e limitações econômicas.

A questão (contraditória) é que a riqueza de um país é medida pela sua capacidade de gerar novos valores consubstanciados em bens e serviços, independente de quem se apropria destas benesses. Faço parte do grupo de pessoas que entende que por conta desta lógica perversa, o capitalismo é um modo de produção injusto e concentrador de renda, beneficiando uma pequena parte da população, apesar de se fundar em um discurso alentador de que “as oportunidades são iguais para todos”, o que, certamente, não é verdade.

Entretanto, como economista e crente de que, apesar de suas falhas, o capitalismo ainda reinará na maioria das nações por muito tempo, inclusive no Brasil, defendo que uma das maneiras de se reduzir as desigualdades sociais é por meio do desenvolvimento econômico, o qual alia crescimento da economia com melhoria social e ambiental. Especificamente no quesito econômico, o Brasil vive um antagonismo que limita sua evolução, que pode ser, em linguagem simples, assim definido.

Pode-se dizer que parte da riqueza de uma nação é gerada por empresas públicas e privadas, de setores distintos (agropecuária, serviço e indústria), as quais ofertam bens e serviços (intermediários e finais) para as próprias empresas e para a população. Por outro lado, para que esta produção se sustente e cresça no longo prazo, é necessária a existência de uma base produtiva denominada infraestrutura, composta por logística, energia e saneamento (portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, refino de petróleo, geração e distribuição de energia, água e esgoto…).

Em geral o Brasil possui uma forte e diversificada produção de bens e serviços intermediários e finais que o tornam uma das nações mais ricas do mundo, entretanto, com relação à infraestrutura, assemelha-se, com algumas exceções, a países pobres do planeta. Por se tratar de atividades que demandam elevado volume de capital, o investimento em infraestrutura exige atuação governamental, principalmente do executivo federal, diretamente ou dando as condições para que a iniciativa privada o execute.

Por um misto de impossibilidade financeira (decorrente dos desequilíbrios orçamentários da ditadura) e incompetência dos governantes em se pensar o país no longo prazo, o investimento em infraestrutura não ocorreu em uma magnitude suficiente nos últimos 40 anos para que esta não se tornasse um gargalo que impõe baixa produtividade e custos elevados à produção de bens e serviços intermediários e finais, comprometendo a competitividade do país.

Em seu primeiro mandato, a presidente Dilma Roussef deu passos importantes para que este investimento deslanche-se a partir de agora, com o desenvolvimento de diversos modelos de concessão (marcos regulatórios) com o objetivo de deixar claras as regras a que os investidores deverão se submeter para que possam explorar as diversas possibilidades que a economia brasileira os apresenta em todos os segmentos da infraestrutura.

Assim sendo, a expectativa é de que a próxima década (2015 – 2025) se transforme no decênio da infraestrutura, o que fará com que o país supere um desafio histórico e continue o seu processo de desenvolvimento econômico, melhorando as condições de vida da população e fortalecendo a democracia conquistada nos anos de 1980.

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