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Seminarista da Arquidiocese de Vitória participará do encontro A Economia de Francisco

O Seminarista Vitor César Zille Noronha, do Seminário Nossa Senhora da Penha, participará em 2020 do evento “The Economy of Francesco (A Economia de Francisco). Os jovens, um pacto, o futuro” na cidade de Assis.  O encontro será realizado entre os dias 26 a 28 de março, e dele participarão jovens economistas, empreendedores, protagonistas de mudanças, provenientes de diversas partes do mundo.

A programação do encontro contará  com a realização de laboratórios, eventos artísticos e plenárias com renomados economistas, especialistas em desenvolvimento sustentável, empreendedores e empreendedoras, que hoje estão comprometidos em nível mundial com uma economia diferente. A intenção é refletir e trabalhar em conjunto com os jovens nestes três dias.

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O convite aos jovens do mundo todo para participar do encontro vem diretamente do Santo Padre e é dirigido a jovens de até 35 anos. Segundo o seminarista, que é economista, mestre em Filosofia e estudante de Teologia, houve uma seleção dos jovens inscritos e inicialmente ele não acreditou que poderia ser acolhido no encontro.

Como foi receber a notícia de que foi acolhido?

Uma explosão de alegria e uma surpresa. Já estava sem esperança, porque havia passado do prazo para me responderem. Também, especialmente, porque o perfil buscado pelo evento é de jovens economistas que não ocupem cargos ou funções eclesiais, não obstante eu sou seminarista. Assim, tinha tudo para não dar certo. Quando eu recebi a notícia de que fui selecionado, entre milhares de inscritos, não sei como tanta felicidade coube dentro de mim. Imediatamente, fui até a Capela do Santíssimo de minha Paróquia de Pastoral, o Santuário Bom Pastor, e entreguei tudo nas mãos de Deus. Por um momento, fiquei lisonjeado pela oportunidade e orgulhoso porque encontrarei o Papa Francisco, mas depois, caindo em mim, reconheci que tudo é graça e só vinha no meu coração o conselho dado pelos apóstolos a São Paulo: que nunca se esquecesse dos pobres (Gl 2,10). É impossível retribuir a Deus e ao Papa tão grande graça. Mas, me esforçarei para retribuir nos parcos limites das minhas possibilidades, não me esquecendo dos pobres, em especial dos pobres da nossa terra. É para criar uma economia que eles caibam que vale a pena ir até lá. Se não, é só turismo.

Por que você resolveu participar do Encontro?

Porque eu estou absolutamente convicto do “programa” Francisco. Que fique claro, Francisco não é só um nome, não é só um santo que viveu na Idade Média, não é só um Papa que hoje está na cadeira de São Pedro à frente da Igreja Católica. Francisco é um programa não só para os católicos ou para os cristãos, é um programa para toda a humanidade. É um programa de uma nova sociedade possível, que necessita de uma nova economia possível. Neste programa, os pobres e a criação têm lugar central. Como disse Maria no Magnificat (Lc 1,46-56), neste programa os poderosos são derrubados dos seus tronos, os humildes são exaltados e de bens são saciados os famintos. Nem é necessário, como pondera o saudoso Dom Helder Câmara, despedir os ricos de mãos vazias, como canta Maria Santíssima. Basta um mundo de iguais, um mundo em que todos estejamos sentados na mesma mesa, em suma, um mundo de irmãos e irmãs! Eu quero aderir ao “programa” Francisco, eu quero ajudar a construir o programa Francisco, só é possível este novo mundo com uma nova economia, feita a partir dos clamores dos pobres e da Terra. Não quero ficar de fora e quero incluir o maior número de pessoas que eu puder. Ou faremos juntos ou não será feito.

 O que você espera do Encontro?

Espero encontrar jovens de todos os continentes, de todas as culturas, de todas as religiões, de todas as raças e, nos olhando face a face, podermos nos reconhecer como irmãos e irmãs. Assim, reconhecermos que cada pobre que sofre é um irmão nosso que sofre; reconhecermos que cada pequena parcela da natureza que é destruída, é nosso próprio corpo que é destruído. É fundamental reconhecer, como diz o Papa Francisco, que este sistema é estruturalmente perverso, temos que mudá-lo. Basta de dinheiro que governa, basta de autonomia absoluta do mercado que exige sacrifícios humanos! Mas, reconhecermos também que temos tantas possibilidades, tantas lutas, tantas iniciativas, tantos projetos, tanta mudança já em curso. Espero que unamos todas essas forças contra o anti-reino presente neste mundo: o capitalismo, a fome, a desigualdade, as violações de direitos, etc. Mas, acima de tudo, que unamos nossas forças para construir uma novidade, que já está nascendo através das nossas idéias e das nossas mãos, de tantos que estarão lá em Assis em março próximo e de tantos outros que já lutam, pensam, sonham e constroem uma economia baseada no “programa” Francisco, talvez até sem saber do que se trata.

 

 

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