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Histórias de fé marcam a Romaria dos Homens

A fé que move montanhas ou a fé que cresce tal qual um grão de mostrada. É este o sentimento, de apenas duas letras, mas de grandioso sentido, que move centenas de milhares de pessoas a percorrerem 15, 20 ou muitos mais quilômetros durante a Romaria dos Homens, a maior de toda a Festa da Penha.

Durante o percurso, é possível ver e sentir toda a devoção do povo capixaba. São famílias com filhos pequenos, idosos, outros com dificuldades de locomoção ou deficientes, e os motivos que os levam até ali passam pelo agradecimento, pela súplica por alguma necessidade ou por uma promessa.

Ariadne Ferreira viveu momentos de angústia com seu filho Matheus, de 20 anos, que teve uma leucemia. No ano passado, exatamente no dia de Nossa Senhora da Penha, eles viajavam para o Rio de Janeiro, em busca da cura para a doença através de um transplante de medula óssea. E foi aí que ela prometeu: “se meu filho fosse curado eu prometi que neste ano faria a romaria com meu grupo de amigas e faríamos a distribuição de cachorro quente aos romeiros”. E assim foi feito, Matheus, junto com seus amigos, distribuíram mais de mil unidades do alimento na Rodovia Carlos Lindemberg.

Entre as amigas de Ariadne estava a enfermeira que cuidou de Matheus no hospital, Andreia de Assis. Ela é do Rio de Janeiro e fez questão de cumprir a promessa junto com a mãe do jovem, a quem ela já considera como família. “O procedimento do transplante exige um longo tempo de internação, sem permissão de visitas, então nós acabamos assumindo esse papel. Eu agradeço a Deus por ser instrumento e partes dessas histórias, pois elas vão muito além do profissional. Tudo o que nós podemos fazer é doar amor e nosso conhecimento”, disse emocionada.

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Entre os peregrinos, as crianças estão cada vez mais presentes e, muitas vezes, são elas que motivam seus pais a estarem na romaria. É o caso de Eugênio, que junto com seus dois filhos percorreu o caminho da Catedral à Prainha, carregando um mastro com uma vela na ponta e logo abaixo uma placa escrita “papai”. “Assim eles não se perdem de mim e a gente segue juntos na caminhada. Esse é um momento de muita fé, mas bastante cansativo e são eles que me incentivam a vir e não desanimar”.

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Quem também seguiu na caminhada foi o padre Márcio Ferreira, pároco da paróquia Santa Luzia. Ele contou que faz a romaria há 16 anos, seguindo junto no meio do povo. “É sempre com muita emoção, sou devoto de Nossa Senhora da Penha desde a minha tenra idade e agradeço a Deus de poder sempre fazer essa caminhada de fé e de luz. Esse é um caminho importante para a nossa fé”, disse.

Junto com seu filho Heitor Chagas, Cléber Machado, faz pelo terceiro ano a Romaria dos Homens. “Este é um ato de fé muito bom, de muita esperança para o nosso povo, significa um momento de paz para todo mundo”.

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Com o Parque da Prainha tomado pela multidão de fiéis que chegavam, na chegada da imagem de Nossa Senhora da Penha, o arcebispo Dom Luiz Mancilha Vilela recebeu os romeiros pedindo para que todos estendessem as mãos e rezassem juntos uma Ave Maria. Logo após, presidiu a missa no local.

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