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Corpus Christi: testemunho da unidade e da partilha

Todos os anos, após o tempo pascal, a Igreja celebra a Festa de Corpus Christi. Os católicos aguardam ansiosos por este dia, preparam o que tem de melhor para Jesus Cristo passar. As ruas enfeitadas com motivos eucarísticos, mais do que a beleza, manifestam o nosso cuidado e reverência com o sagrado presente diante de nossos olhos. Para homenagear Nosso Senhor não importa a idade e nem precisa ser artista. O que precisa é um coração aberto à graça de Deus e o desejo sincero de partilhar os dons.

A importância desta festa está exatamente no anúncio de que Jesus Cristo está no meio de nós, através de sua presença sacramental, que caminha conosco e orienta a nossa história. Desta maneira, atualizamos as palavras ditas por Jesus na Última Ceia: “fazei isto em memória de mim” (cf. Lc 22,19). São João Paulo II, no parágrafo 11 da sua Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, nos diz o seguinte: “A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação. Esta não fica circunscrita no passado, pois “tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente”.

A festa de Corpus Christi é fruto da devoção eucarística medieval. No ano de 1264, Juliana de Mont Cornillon, uma religiosa belga, tinha visões nas quais o próprio Jesus pedia uma festa dedicada à Eucaristia. Na cidade italiana de Bolsena, enquanto um padre celebrava a Missa, aconteceu um milagre eucarístico: começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. O papa da época, Urbano IV, pediu ao bispo da região que levasse aquelas relíquias, em procissão, até Orvieto. Ao encontrar a procissão, exclamou: Corpus Christi, ou seja, Corpo de Cristo. Dessa forma foi instituída a solenidade e estendida para toda a Igreja. No Brasil, a primeira festa de Corpus Christi aconteceu em Salvador, no ano de 1549.

Após a missa da Solenidade de Corpus Christi acontece a procissão com o Santíssimo Sacramento – mantida pela tradição da Igreja e fundamentada no Código de Direito Canônico – com o intuito de “testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia”, fazendo a procissão pelas vias públicas. Este é o dia prescrito dentro do ano para expor publicamente este tesouro para que seja contemplado por todos, com respeito e dignidade. Como a procissão deve ocorrer após a missa, não há a bênção final própria da celebração, sendo esta encerrada com a bênção do Santíssimo.

O sentido da festa está profundamente ligado com espírito de partilha e de unidade, já que na Eucaristia nós manifestamos que somos todos irmãos. A Igreja vive da Eucaristia, portanto, ao nos reunimos em torno do altar para nos alimentarmos devemos ter o compromisso de viver a unidade dos filhos de Deus. A unidade gera o testemunho e o nosso compromisso de vivermos conforme o desejo do Pai. “A missão primeira e fundamental, que deriva dos santos mistérios celebrados, é dar testemunho com a nossa vida. O enlevo pelo dom que Deus nos concedeu em Cristo, imprime à nossa existência um dinamismo novo que nos compromete a ser testemunhas do seu amor. Tornamo-nos testemunhas quando, através das nossas ações, palavras e modo de ser, é Outro que aparece e Se comunica.” (Sacramentum Caritatis, 85) Uma Igreja Eucarística desperta discípulos-missionários eucarísticos, pois quem está unido a Cristo e se alimenta do Seu Corpo e Sangue, deve ser presença eucarística no mundo, doando a sua vida para a construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Para isso, devemos olhar para Cristo e olhar para os irmãos: encontrar n’Ele o ponto de unidade e com o próximo viver a experiência da partilha. Que todos os dias do ano sejam um reflexo da unidade vivida em Corpus Christi.

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