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A única revolução possível - Texto de pe. Xavier

Quem não tem nada de bom para divulgar e não tem ações significativas para
apresentar, recorre compulsivamente a declarações polêmicas que criam
impacto na opinião pública para sobreviver ao silêncio derivante de sua inércia
e/ou incompetência. É o rasteiro pragmatismo muito conhecido no terreno dos
populistas: “Falem bem ou falem mal, mas falem de mim”!

Quem não sabe encarar o debate e não consegue lidar com o contraditório,
sobretudo porque não possui argumentos sólidos para enriquecer a discussão,
esquece o assunto e desqualifica os/as interlocutores/as. Os latinos já
ensinavam isso com a famosa máxima: “argumentum ad hominem” (argumento
contra a pessoa). A pessoa que apresenta o argumento “incomodante” é
atacada em vez do próprio argumento. Menospreza-se seu caráter, a
nacionalidade ou a religião. É rotulada pelas pessoas e grupos que frequenta.
Coloca-se em discussão a honestidade. Insinua-se a ideia que tenha algum
sórdido interesse e possa obter ganhos com um resultado favorável (Guia de
Falácias Lógicas de Stephen Downes),

Quem não tem nenhum compromisso com a verdade, abusa da ignorância
para espalhar mentiras, fomenta o medo para encobrir dados e dissimular
decisões insensatas com efeitos devastadores, explora o orgulho nacional para
impedir a divulgação de informações que possam comprometer a imagem de
uma nação e serve-se da ameaça, da perseguição, da criminalização e, até, da
violência extrema como a morte, para eliminar as pessoas que teimam em
buscar e proclamar a verdade.

Quem não pauta sua vida segundo a lógica do amor de Deus, comporta-se
grosseiramente, faz chacota do sofrimento dos outros, fica indiferente diante da
dor, estimula a violência, não é capaz sequer de expressar uma palavra de
solidariedade com quem sofre, pois, num surto de onipotência, arroga-se o
direito de fazer uma seleção prévia de quem é merecedor de um gesto de
apoio.

Tudo isso é novidade? Claro que não. A história está cheia de personagens
que enveredaram por esse tortuoso caminho deixando atrás de si um rastro de
vítimas e de sofrimento, mas todos acabaram derrotados graças à força do
povo, sobretudo quando este decide reagir trilhando o caminho da não
violência. Não vamos esperar pelos outros/as. A única revolução possível -
dizia Gandhi – está dentro de nós. “Não é possível libertar um povo, sem antes,
livrar-se da escravidão de si mesmo. Sem esta, qualquer outra será
insignificante, efêmera e ilusória, quando não um retrocesso. Cada pessoa tem
sua caminhada própria. Faça o melhor que puder. Seja o melhor que puder.
O resultado virá na mesma proporção de seu esforço. Compreenda que, se
não veio, cumpre a você (a mim e a todos) modificar suas (nossas) técnicas,
visões, verdades, etc. Nossa caminhada somente termina no túmulo. Ou até
mesmo além… Segue a essência de quem teve sucesso em vencer um
império…”. Coragem, portanto, caminhemos juntos/as de mãos dadas. Quem
cuida, RESISTE ATÉ A VITÓRIA

(pe. Xavier Paolillo)

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