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Workaholism: vício ou compulsão pelo trabalho?

Persona era o nome da máscara que os atores do teatro grego usavam durante suas apresentações. Sua função era tanto dar ao ator a aparência que o papel exigia, quanto amplificar sua voz. De persona veio a palavra personalidade, o conjunto de qualidades que definem uma pessoa. Na busca de uma forma em lidar com suas próprias demandas, cada pessoa assume uma “máscara” que a acompanha em todo momento.

Existem vários perfis de personalidade, uma delas, conhecida como personalidade tipo A, engloba um padrão comportamental que inclui ambição, competitividade, agressividade, impaciência, tensão muscular, constante estado de alerta, modo rápido e empático de falar, cinismo, hostilidade, raiva e necessidade de controlar o ambiente. Esse perfil é encontrado com mais frequência em pessoas exageradamente dedicadas ao trabalho (workaholic), que negam a própria vulnerabilidade física e emocional.

Esse é o pano de fundo para o workaholic, termo que vem do inglês work, que significa trabalho, e alcoholic, ligado à dependência. Esse comportamento não é considerado a rigor uma doença psiquiátrica, mas pode estar associado a condições de sofrimento mental e desajustes funcionais. Quem primeiro abordou o fenômeno workaholic como um tema de estudo foi o psicólogo americano Wayne Oates, em 1968, num artigo intitulado “On being a ‘workaholic’”, no qual relatava sua própria experiência e, ao se comparar a um alcoólatra, o autor afirmava ser também um viciado, mas em trabalho.

De fato, o comportamento de um indivíduo em relação ao trabalho pode possuir os mesmos aspectos observados nos quadros de dependência química em relação à droga: avidez (ânsia pela droga ou pelo trabalho), pensamentos recorrentes (quanto aos mesmos), negação da dependência (o indivíduo não percebe que está adoecido), sintomas de abstinência e a ocorrência de prejuízos psicossociais significativos. Por isso, os primeiros sinais envolvem problemas familiares e comprometimento dos relacionamentos sociais. O autocuidado também fica prejudicado, sendo assim pode ocorrer um adoecimento mental e físico.

Outra forma de entender o workaholismo é a compulsão pelo trabalho. Contudo a execução não se dá de imediato, mas somente após alguma deliberação consciente, havendo, com frequência, luta ou resistência contra a sua execução. Os atos compulsivos nem sempre levam a uma sensação de prazer; muitas vezes produzem apenas certo alívio, em geral temporário, para uma vivência ansiosa, produzindo posteriormente sentimentos de tristeza e culpa.

A questão é complexa, mas se há sofrimento psíquico e físico (secundário ao descuido com a própria saúde), sinais evidentes de prejuízo social (pois o indivíduo deixa de viver para si e para sua família por exemplo), deve-se buscar ajuda, pois o corpo fala, basta saber escutar!

Dr. Valber Dias Pinto
Médico Psiquiatra e Professor Universitário

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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