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Viver é uma eterna procissão

Mundo_Liturgico

Desde o Antigo Testamento, a experiência de vida e de fé do povo é marcada pela caminhada, pelo deslocamento, pela possibilidade de ir em busca de algo melhor, pela manifestação de um Deus que se sente próximo da humanidade e por isso caminha junto, vai à frente. Em tantos momentos na vida litúrgica das comunidades, escuta-se com tamanha devoção “o povo de Deus no deserto andava” ou outros cantos similares que evocam esta manifestação pública de fé. Não é simplesmente a voz que canta. É, sobretudo, o coração que canta, pois a vida é uma eterna procissão, um caminhar rumo ao Pai. Na Sagrada Escritura várias passagens nos fazem compreender este sentido como a saída de Abrão de sua terra para formar uma grande nação (cf. Gn 12), o povo liberto em busca da terra prometida (cf. Ex 13), a peregrinação por ocasião da Páscoa (cf. Dt 16).

Caminhar é anseio e, ao mesmo tempo, uma necessidade humana, assumido pela liturgia, pois celebrar não é algo estático. Celebrar exige movimento, dinâmica, tal como é a vida e promove o encontro com Cristo e com os irmãos. As procissões surgiram, muitas vezes, dos gestos mais simples do povo e, como define o Código de Direito Canônico, são para “comemorar os benefícios de Deus e dar-lhe graças ou para implorar o seu auxílio” (cf. cân. 1290) No interior, nas pequenas comunidades eclesiais, as procissões são muito comuns. Louva-se a Deus pelo testemunho da Virgem Maria, dos Santos e por sua poderosa intercessão. Na vida urbana, contudo, o ritmo frenético muitas vezes impossibilita a realização destas manifestações da piedade popular e que sustentam a fé do povo de Deus.

Neste sentido, caminhar é um sinal cristão e, no rito da celebração, encontramos alguns momentos processionais. A primeira procissão é a de entrada, rumo ao altar, rumo a Cristo. Nela contemplamos a Igreja que caminha ao encontro do seu Senhor, com total disposição de ouvi-Lo, segui-Lo e anunciá-Lo. Toda a comunidade é inserida no mistério da Páscoa que ali é atualizado. Durante o canto das oferendas acontece a segunda procissão: os dons do pão e do vinho, sinais humanos, são conduzidos para se converterem no Corpo e Sangue de Cristo, sinais divinos. É um gesto muito significativo, pois expressa o reconhecimento da bondade de Deus em oferecer ao homem tantos bens para a sua subsistência. Bens, que outrora, eram levados de casa pelos fieis. A terceira procissão manifesta o desejo dos cristãos de sempre nutrirem a sua vida com pão celeste. Todos se dirigem rumo ao altar que é Cristo em busca de seu corpo e sangue, alimento que sacia toda a sede e fome e clamam: “protegei vossa Igreja que caminha nas estradas do mundo rumo ao céu, cada dia renovando a esperança de chegar junto a vós, na vossa paz.” (Oração Eucarística V)

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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