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Viver a liturgia

O Ano Litúrgico, espiritualidade por excelência do cristão na tradição católica, ao ser vivido e aprofundado ritualmente, é a perene celebração do mistério da fé – paixão, morte e ressurreição do Senhor, na intensificação da comunhão eclesial e cósmica.

O culto representa a dimensão vertical da relação dos crentes para com Deus, pelo mistério de Cristo, e repercute na dimensão horizontal da existência, fomentando uma nova organização da vida na face da terra, a partir dos encontros e confrontos, segundo a dinâmica e o compromisso evangélico. A vida cotidiana é o lugar da experiência mística e do verdadeiro culto, mediante os relatos da história da salvação, e na culminância e legitimidade da encarnação de Jesus Cristo.

Os ritos litúrgicos, similares à função da espinha dorsal no corpo humano, ou seja, sustentáculo da estrutura corporal, têm a função de garantir a unidade da Igreja na ação cultual, como proclamação da única fé. São genuínas as referências bíblicas, teológicas e antropológicas na elaboração ritual. Os ritos são patrimônio místico da Igreja.

As vivências rituais em assembleia reunida são expressas por um conjunto de atitudes corporais, mediante a experiência interior da contemplação, com alternâncias de verbalização e silêncio. Os sentidos corpóreos são canais de experiências e comunicação do mistério celebrado. A liturgia cristã é, na unidade e totalidade do ser humano, experiência de corpo, sem dualismo, no objetivo da plena comunhão entre o Criador e sua criatura, em fraternidade universal.

Por Cristo, com Cristo e em Cristo é que se realiza o intercâmbio de dons entre céus e terra, o que enfaticamente celebrou-se no Tempo do Natal. A ação litúrgica promove o memorial do imutável mistério pascal do Senhor, ou seja, a atualização desse mistério de fé como fato salvífico no hoje da história, na parceria da Aliança entre Deus e o seu povo.

Aprofundar continuamente, à medida da experiência, o sentido do ano litúrgico e o dinamismo de cada tempo, de cada domingo, de cada dia celebrado, incluindo as memórias, festas e solenidades, como também os dias feriais, é garantir a vitalidade de uma autêntica vida cristã, pois a liturgia sempre remete ao confronto com a vida, iluminando-a na perspectiva dos gestos ressuscitadores de Jesus Cristo. O viver a liturgia é penhor de vida e salvação para todos!

mundo liturgico janeiro

Fr. José Moacyr Cadenassi
OFMCap

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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