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Vila Rubim é história e tradição

Um dos espaços mais tradicionais de Vitória, a Vila Rubim, está situada na entrada do portal sul da capital do Espírito Santo, suas características são peculiares de um tempo passado que parece ainda estar presente naquele local. Lá está guardada boa parte da história da formação do comércio de Vitória.

Vitória é um arquipélago composto por 33 ilhas. Uma delas é a Ilha do Príncipe, onde encontra-se parte da Vila Rubim.
Na década de 70 o braço de mar que separava a Ilha de Vitória e a Ilha do Príncipe foi aterrado, juntado as duas porções de terra. Com o aterro acabou também o porto onde ancoravam pequenas embarcações de carga e de passageiro. No local foi construído, na década de 40, o famoso Mercado da Vila Rubim.

Outra curiosidade daquela região é que a Ponte Florentino Avidos, construída em 1927 para ligar as duas ilhas, passou a ser conhecida como Ponte Seca.

Lá existiam muitos clubes, bailes e outros eventos. Para o padre Roberto Camilato, Reitor da Basílica de Santo Antônio e que nasceu na Vila Rubim, “o bairro foi sempre um centro irradiador de animação popular”. Lá estava a sede do Clube de Regatas Álvares Cabral que, além do remo, tinha “quadras de esportes extensas a reunir a sociedade capixaba que se concentrava em finais de semana, fazendo da Vila Rubim um espaço cultural.

Um exemplo é o Estrela Futebol Clube. Ele mantinha a Azul e Branco Escola de Samba Império da Vila (hoje Novo Império).

Na religião destaca-se a Paróquia de São Pedro, com 91 anos de existência, ela foi a segunda paróquia a ser fundada na Arquidiocese de Vitória.

Porém, foi na Vila Rubim que aconteceu uma das maiores tragédias da história da cidade. Em 1994, depois de um incêndio o mercado foi destruído. O fato resultou em quatro mortes, dezenas de feridos e comoção na população. Com o fogo foram queimados os estabelecimentos comerciais, muitos sonhos e parte da história da Vila Rubim. Tudo isso, ironicamente, num local que antes era água.

Na Vila está instalada a Santa Casa de Misericórdia, hospital que foi referência no atendimento aos mais pobres de toda a Grande Vitória. Conhecida também pelo bom atendimento, a Santa Casa era gerenciada pelas Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo.

Nos dias de hoje a Vila Rubim ainda continua mantendo a sua característica comercial. Lá encontra-se de tudo, desde lojas que vendem couros e espumas para reformadores de estofados, passando por peixarias e bares tradicionais até vendedores de raízes, de folhas e das famosas garrafadas, que vem a ser remédios caseiros feitos geralmente com folhagens ou cascas de troncos de plantas imersos em álcool ou água e vendidos em garrafas.

Naquele espaço podem ser encontrados mais de 400 estabelecimentos comerciais, alguns deles ainda atendendo com métodos tradicionais que, ao longo dos anos, têm passado de pai para filho e guardam algumas tradições familiares de quem vende, mas também de quem consome os produtos vendidos por lá.

Em 2016 a Escola de Samba Piedade contou a história da Vila Rubim no seu enredo. Com o tema Vamos ao Mercado, a agremiação homenageou a Vila e os moradores de lá. O samba falava da malandragem, da boemia, do comércio e do incêndio que marcou a vida do bairro.

A Vila Rubim é história e tradição.

Vander Silva

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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