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Vida, Terra, Mistério

Vida, Terra, Mistério
A três passos do sol, sou densidade.
Cubro-me de azul infinito céu.
De meu verde ventre, alimento vida.
É inútil explicar-me.
Somos um no outro no outro do outro.
Quando muito olho: vejo.
Sentindo-me sou o mundo.
Choro a mão pesada do tempo
que vela sob nossas cabeças.
Transformo o mundo no que sou.
E o que sou sofre com o mundo que crio.
Mistérios que se desvelam em pequenos sinais.
Desço rio, subo esvoaçante em cachoeiras que respiram.
Sou raiz, semente e o madurar do fruto.
Passado, futuro e presente.
Não pertenço a ti, tu é que pertences a mim.
Sou terra. Princípio da vida. Luz e trevas.
Sou o ar que respiras. A brisa leve que beija tua face.
O clarão que principia o dia: a lida.
O escuro que tudo descansa, nasce e eterniza.
O velho, o jovem, a criança.
A boa morte: vida.
O tempo e o vento.
A lua mansa.
O respiro do mar.
Somos um mesmo e único amor.
É inútil gritar, levantar a voz, que seja.
Como perdoar os crimes da terra?
A folha cai. A vida cai. A justiça dos homens cai.
Uma nova manhã se faz e tudo se renova.
De quanta verdade simples se compõe a natureza?
Quanta beleza num pássaro que apenas
almeja um pequeno arbusto para passar a noite.
O pior analfabetismo é ignorarmos a linguagem do universo.
É não ouvirmos o grito da Terra.
É não sabermos ler o grito de dor daquela que nos pede socorro.
A semente grávida novamente é plantada…
Há sempre uma flor nascendo no asfalto da vida.

Warllem Silva
Poeta

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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