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UMA EXPERIÊNCIA DE FÉ E GRATIDÃO

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Viver a fé traduzida na vida é uma experiência fantástica! Eu vivi isso no ano passado. Em abril de 2017, em meio à correria do dia a dia, com milhões de atividades de trabalho, dança, Igreja, família e estudos, recebi um diagnóstico bem assustador: carcinoma infiltrante de mama, ou seja, eu estava com câncer. Imediatamente veio em minha mente milhares de perguntas, como: onde vou fazer o tratamento? Quem vai atender meus pacientes de fisioterapia? Quem vai me substituir no espetáculo de dança que eu tinha no mês seguinte? Enfim, eram muitas perguntas, mas sempre de ordem prática.

De forma alguma parei para questionar Deus! Ao tomar ciência da doença olhei para a minha mama e falei para as células cancerosas: vocês não vão tirar minha paz e minha alegria! Foquei apenas na vida!

A seguir tive uma conversa franca com Deus, que foi a maior experiência de fé que já tive em toda a minha vida. Sabe quando rezamos no Pai Nosso “que seja feita a Vossa vontade”? Pois é, descobri que falar isso com as pequenas coisas da vida é bem fácil, mas quando existe uma possibilidade iminente de morrer, não é tão simples assim. Respirei fundo e olhando profundamente nos olhos de Jesus, disse: de verdade, que seja feita a vontade do Pai! Quero viver, mas se for para eu morrer, prepare o meu espírito, por favor! Foi a oração mais libertadora que já fiz em toda a minha vida, pois soltei o leme nas mãos do Senhor e fiz apenas a minha parte.

Durante o tratamento tive a oportunidade de experimentar a bondade de Deus de muitas e muitas formas. Uma delas foi através das pessoas. Foram tantos anjos que surgiram para me ajudar, que fiquei impressionada. Minha família e meus amigos, literalmente me mimaram.

No Hospital Santa Rita, equipe de saúde da Afecc era de uma competência e carinho impressionantes. Então, como focar em reclamação se há tanto para agradecer? Dentro de mim só tem espaço para gratidão com tudo o que vivi, afinal tive a grande oportunidade de desenvolver a resiliência, a humildade e a fé.

Engraçado, que teve gente que me questionou: mas por que aconteceu isso com você, uma pessoa tão religiosa? Confesso que fiquei escandalizada com esta pergunta e muitas outras perguntas surgiram dentro de mim: se Jesus carregou sua cruz com tanto amor, por que eu recusaria a minha? Ele não disse que “se quer me seguir, pegue tua cruz e siga-me”?

Não seria este o sentido de ser CRISTÃO? É certo desejarmos todo o sofrimento para quem julgamos merecer? Sermos religiosos nos garante regalias no céu ou nossa alegria está em ter a presença e o alento de Deus em tudo o que vivemos? Entendo a intenção positiva de quem fez este questionamento, pois sei que ela não gostaria que eu estivesse passando por isso! De qualquer forma é preciso que a gente, diante de uma tribulação, compreenda que não estamos recebendo um castigo de Deus, afinal o sofrimento faz parte da condição humana e, acolher a dor com alegria, pode nos tirar de uma depressão e tornar o sofrimento um grande terreno de crescimento espiritual e emocional, nos deixando mais fortes para outras situações.

Foi assim que eu me fortaleci, durante o tratamento. E, com essa força movida pela fé, consegui apresentar, no Outubro Rosa do ano passado, um projeto de dança em torno de uma exposição de pinturas que mostravam mulheres mastectomizadas. Outubro é o mês dedicado à prevenção do câncer de mama e, por sermos templos de Deus, temos que cuidar de nossa saúde. Foi pensando nisso, que resolvi ampliar essa ideia para o Outubro Rosa de 2018. Decidi montar um espetáculo solo de dança-teatro chamado “Vírgula”. O objetivo é contar a minha trajetória de vida contra o câncer e refletirmos sobre este tema de forma leve e através da arte.

Pois é, com toda esta experiência passei a valorizar ainda mais a vida e, com leveza, continuo minha jornada confiando, sem restrições, no amor de Deus!

Sandra Motta
Fisioterapeuta e Bailarina Consagrada na Comunidade Católica Epifania

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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