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Um presente para a nossa casa

Por Gilliard Zuque e Vander Silva

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Que o Papa Francisco consegue atingir com sua comunicação e suas atitudes o coração dos ouvintes é uma constatação que se faz desde sua eleição, mas a Encíclica Laudato si, que introduz o conceito de ‘ecologia integral’, conseguiu reunir opiniões não esperadas e surpreender pela repercussão em ambientes fora da Igreja Católica. Achim Steiner, Diretor Executivo do PNUMA, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, afirmou: “esta Encíclica é um apelo que ressoa não só nos católicos, mas em todos os povos da Terra. A ciência e a religião estão alinhadas nesta matéria. Agora é o momento de agir”.

Mas não foi apenas Steiner, o Presidente Barack Obama, a Presidente Michelle Bachelet, o Presidente François Hollande, a FAO, Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura e a WWF, Fundo Mundial para a Natureza, salientaram a perspectiva humanista da encíclica e a importância do tema nas pautas mundiais perante a realidade atual.

De fato, a Encíclica “Laudato si – sobre o cuidado da casa comum” fala da ecologia humana e o clima é uma das preocupações apresentadas. Além disso, são apontadas as problemáticas e desafios de preservação e prevenção, como também aspectos da proteção à criação e questões como a fome no mundo, pobreza, globalização e escassez.

O pontífice vai muito além da questão ambiental simplesmente, ele incorpora no texto as questões sociais ligadas diretamente à pobreza. “Essa atitude de cuidar do ambiente, não é uma atitude verde é muito mais; cuidar do ambiente significa uma atitude de ecologia humana, a ecologia é total, é humana. E isso é o que eu quis desenvolver na Encíclica Laudato Si”, disse o papa. E ainda afirmou: “não é uma encíclica verde é uma encíclica social, porque da vida social dos homens não podemos separar o cuidado com o ambiente, que é uma atitude social”.

O papa cita dados referentes às mudanças climáticas, à questão da água, à erosão da biodiversidade, à deterioração da qualidade da vida humana e à degradação da vida social, denuncia a alta taxa de iniquidade planetária, afetando todos os âmbitos da vida, sendo que as principais vítimas são os pobres.

E mais uma vez o papa que escolheu o nome de Francisco, explicou que o nome da Encíclica foi inspirado na invocação de São Francisco “Louvado sejas, meu Senhor”, quando compara a terra com uma irmã ou uma mãe.

A nova Encíclica é composta por seis capítulos: “O que está a acontecer à nossa casa”, “O Evangelho da criação”, “A raiz humana da crise ecológica”, “Uma ecologia integral”, “Algumas linhas de orientação e ação” e “Educação e espiritualidade ecológicas”.

Na véspera do lançamento do texto, o papa Francisco afirmou que a Terra tem sido maltratada e saqueada. “Esta nossa ‘casa’ está sendo arruinada e isso prejudica a todos, especialmente os mais pobres. Portanto, o meu apelo é à responsabilidade, com base na tarefa que Deus deu ao ser humano na criação: ‘cultivar e preservar’ o ‘jardim’ em que ele o colocou. Convido todos a acolher com ânimo aberto este Documento, que está em sintonia com a Doutrina Social da Igreja”.

Repercussões

Papa

Em todo o mundo os ambientalistas se pronunciaram e comemoraram o posicionamento da Igreja em relação ao meio ambiente.

“Esta encíclica terá um grande impacto. Francisco está diretamente envolvido como nenhum papa antes dele. Ele está animado com o que esta encíclica comunicará”, afirmou Christiana Figueres, presidente da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), em uma reunião em Bonn, na Alemanha.

Ambientalistas encaram a Encíclica como um “presente” que deve alertar ainda mais sobre a urgência da preservação da natureza.

“A encíclica papal vai direto ao ponto ao criticar, com detalhamento e de maneira contundente, nosso atual modelo insustentável de desenvolvimento. Com um texto claro e de fácil acesso, traz ainda uma contribuição sem precedentes à mobilização de toda a humanidade, e não só dos católicos, nas questões ambientais e por um mundo socialmente justo e ambientalmente equilibrado”, afirma a diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota. “Como ambientalistas, valorizamos e nos sentimos honrados com o nobre engajamento do papa Francisco”.

“No âmbito científico, já está comprovado de que a ação do homem sobre a natureza é que está provocando as mudanças climáticas atuais; as grandes empresas já perceberam que precisam adotar uma estratégia que cuide do meio ambiente; e os governos já entenderam que é mais barato cuidar da natureza do que arcar com as consequências, em todos os quesitos. A encíclica do papa Francisco vem complementar esses três aspectos, trazendo embasamentos éticos e morais”, afirma Carlos Nomoto, secretário-geral do WWF-Brasil.

“As palavras do papa devem servir para afastar os governantes de seu comportamento apático”, acredita Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

Em acordo com a encíclica do papa, em 2016, a Campanha da Fraternidade Ecumênica da CNBB terá como tema “Casa comum, nossa responsabilidade” e lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. A atividade será coordenada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic).

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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