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Um mundo smart para uma sociedade acelerada

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1999) afirma que estamos sempre em movimento. Em uma sociedade globalizada e midiatizada, nos movemos constantemente, seja desempenhando compromissos do trabalho, afazeres domésticos ou navegando através de um computador, smartphone ou controle remoto da televisão.

David Harvey (2000) analisa em seu livro, “Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural”, a compressão do tempo-espaço e as mudanças ocorridas com a transição do Fordismo (modelo no qual os bens eram produzidos em massa e estocados ao máximo, enquanto um trabalhador realizava somente uma função- retratado com maestria por Charlie Chaplin no filme Tempos Modernos) para a acumulação flexível (ou Toyotismo), modelo no qual a produção varia de acordo com a demanda e o trabalhador é multifuncional. Para o autor, o aperfeiçoamento dos sistemas de comunicação e do fluxo de informações em conjunto com técnicas de distribuição inteligentes, aumentaram a velocidade da circulação de mercadorias no mercado. A ascensão de serviços como bancos eletrônicos e dinheiro de plástico são exemplos dessas mudanças. Também é necessário pontuarmos a mudança do mercado de massa para o mercado de nicho e a mudança do consumo de bens para o consumo de serviços. Harvey (2000) explica que “como há limites para a acumulação e para o giro de bens físicos [...] faz sentido que os capitalistas se voltem para o fornecimento de serviços bastante efêmeros em termos de consumo”.

Rosa Luxemburgo [s.d.] explica em seu livro “Introdução à economia política” que a economia capitalista ordena-se pela troca de mercadorias e a produção capitalista estende-se livremente e adapta-se às necessidades da sociedade. Se estamos em constante movimento, nosso tempo é cada vez mais limitado. É nesse contexto que vemos o surgimento de um mundo smart de novos produtos e serviços, que suprem nossas necessidades de rapidez e comodidade. Todos os dias surgem novos aplicativos para solicitar transporte, alimentos delivery, agendar e programar uma viagem ou comprar um produto com poucos cliques pelo smartphone.

Como consequência dessa aceleração do tempo de giro do capital, temos a volatilidade e efemeridade de modas, produtos e técnicas de produção, instantaneidade, descartabilidade e a obsolescência instantânea e programada, características comuns da contemporaneidade.

Se tratando do consumo de música, por exemplo, segundo a IFPI (2015), o número de downloads tem diminuído, mas por causa da migração dos usuários para serviços de streaming, disponíveis em vários aplicativos. Em relação ao mercado nacional, 28,2% dos brasileiros acessam música em seus dispositivos digitais. Deezer e Napster assinaram acordos com Tim e Vivo, Rdio fez uma parceria com o Grupo Bandeirantes e a Universal Music fechou uma parceria com o banco Bradesco para lançar o serviço de streaming Bradesco Music. De acordo com a IFPI (2015), desde a chegada dos serviços Spotify, Deezer e Napster ao Brasil, os números de assinaturas são impressionantes, o que ajuda a aumentar as receitas dos serviços streaming e é um crescimento importante para o mercado.

Também encontramos diversos aplicativos de entrega de refeições no mercado: mexicana, árabe, japonesa, baiana, mineira, fast food, etc. A cozinha do mundo inteiro disponível em apenas um clique pelo smartphone. Podemos vivenciar a geografia do mundo todo, como um simulacro (Harvey, 2000).

Aliado às novas tecnologias, surgem novos modelos de negócios e de empregos, principalmente em períodos de crise econômica e altas taxas de desemprego. A prestação de serviços, principalmente por meio do MEI (Microempreendedor Individual), cresce rapidamente no Brasil (em 2016 o país possuía 6,64 milhões de microempreendedores, segundo o Portal do Empreendedor). Aplicativos como Uber, que presta serviço de transporte, implementam a ideia de um motorista autônomo, que gere o seu tempo de trabalho, sem nenhuma garantia ou vínculo empregatício.

Vivemos em um mundo cada vez mais smart e o smartphone é o dispositivo mais utilizado pelo brasileiro para acessar a internet, mas é importante lembrarmos que esse mundo inteligente e conectado não existe para todos: até 2016, quase metade da população brasileira (de acordo com o Portal do Governo Federal) e da população mundial (de acordo com a Organização das Nações Unidas) ainda não possuía acesso à internet.

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Rafaela Belo
Mestra em Comunicação e Territorialidades. Professora da da Faculdade Novo Milênio. Sócia-proprietária do Blend Criativo-Comunicação e Marketing.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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