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TUDO É RELATIVO?

É uma pergunta que surge diante de muitas pessoas de bem neste tempo de mudança de época ou época de mudanças. Tenho observado que se confunde, muitas vezes, uma atitude de respeito por parte das autoridades da Igreja, que não tem sido bem compreendida. Por causa disso, parece a muitos fiéis cristãos que o Código de Direito Canônico, o Direito particular da Arquidiocese ou de uma Diocese perderam o valor. Surge assim uma espécie de vale tudo na Igreja. Corremos o risco de um verdadeiro mergulho no relativismo. Parece que vale tudo. E assim acha-se que a consciência é que determina a regra da vida na sociedade e na Igreja. Esclareçamos: a consciência bem formada é que deve orientar nossas escolhas, comportamentos e ações. A consciência mal formada coloca-nos como donos da verdade, sendo que a verdade nos ultrapassa. E esta verdade, a Igreja tem a missão de proclamá-la. Isto é grave, muito grave.

Precisamos esclarecer este engano que se vai avolumando entre nós. Explico-me: quando o Papa Francisco diz que respeita o homossexual ou outras diversidades afins, ele o faz muito bem, porque todo o ser humano tem direito ao respeito como ser humano e às suas opções. Respeitar o próximo é um dever de todos nós! Porém, outra coisa é se ele aprova as opções e atitudes das pessoas em questão. Respeito faz parte do diálogo como também faz parte não aprovar, não aceitar os argumentos e atitudes de meu ou nosso interlocutor.

Ora, na vida litúrgica da Igreja como no seu ensinamento bíblico e moral, existem as normas e orientações que devem ser observadas por todos os fiéis clérigos e leigos. As rubricas estão sujeitas a mudanças, porém, o ensinamento moral com fundamentação bíblica e teológica exposta pelo Magistério da Igreja, clérigos e leigos somos obrigados a acolher, a obedecer porque é de cunho Divino e não meramente eclesiástico. O que for meramente eclesiástico está sujeito a mudanças, não por um simples clérigo ou leigo, mas pela Santa Sé ou pelo Bispo Diocesano.

Na vida da Igreja não vale tudo. Não há lugar para o relativismo. A Igreja acolhe os filhos e filhas que estão vivendo de uma maneira irregular. Respeita-os, mas isto não significa que concorda e aprova suas escolhas. Não os exclui, porém, estes filhos e estas filhas devem ser coerentes com as escolhas que fizeram, escolhas que contradizem e ferem o ensinamento do Magistério da Igreja. Estas escolhas introduzem limites na Comunhão Sacramental Eclesial, no Mistério Divino que nos introduz no mistério de comunhão na Trindade Santa. Neste contexto não se concebe qualquer ruptura por parte da pessoa. Não se trata de exclusão por parte da Igreja, mas a Igreja chora como Mãe aflita de coração e mãos abertas para abraçar todas estas filhas e filhos no Coração do Pai Misericordioso, desejosa da conversão humilde e obediente. Uma Mãe impotente, mas que não perde a esperança e tem no coração a certeza de que o Pai é surpreendente no Seu Amor Divino Humano. Portanto, longe de nós o relativismo! Sempre conosco o respeito a todos os seres humanos, no diálogo constante sem jamais ceder à Verdade!

Quem busca a Verdade tem a bênção de Deus!

Dom Luiz Mancilha Vilela, ss.cc.
Arcebispo Metropolitano de Vitória

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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