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"TRAZEMOS ESSE TESOURO EM VASOS DE BARRO"

“TRAZEMOS ESSE TESOURO EM VASOS DE BARRO”
(2COR 4,6) – SEGUNDA PARTE

Como apresentado na edição de Julho, a reflexão do texto de Paulo aos Coríntios apresenta o tesouro que é o próprio Cristo, carregado nos vasos de barros, isto é, no coração dos cristãos. Nessa segunda parte refletiremos sobre a vivência da fé e a missão de cada um chamado a levar ao mundo o grande tesouro que é o próprio Salvador.

O cristão, iluminado no batismo pela Luz de Cristo Ressuscitado é o vaso no qual Deus, que fazer resplandecer essa imensa Luz para o mundo inteiro. De modo que, todos ao virem os cristãos reconheçam o imenso poder de Deus, que em cada um trabalha, fazendo com que na fragilidade do coração humano a Luz de Cristo manifeste toda a sua força. Por isso, cada cristão, chamado a ser discípulo missionário é convidado a reconhecer a sua vocação como portador da Luz de Cristo, não contando somente com as suas fragilidades, mas, colocando a sua total confiança no poder de Deus. De modo que, brilhe a Luz de Cristo no coração, na vida, nas atitudes, nas escolhas e no amor concreto que nasce nas mãos de cada filho e filha de Deus. A fim de que todos reconheçam a força do amor divino que se espalha e entra na história dos homens, por meio dos vasos de barro que são os corações daqueles que a Cristo abraçaram e seguiram como seus discípulos missionários.

Na vida de cada discípulo de Cristo, apesar das fraquezas e limitações, Deus deseja fazer sempre brilhar a Luz de Seu amor e Sua graça. É o desejo de Deus tocar as realidades humanas, marcando-as com o seu amor de Pai, capaz de reconhecer as necessidades de seus filhos e filhas. Essa missão é depositada hoje nas mãos de todos os que são chamados a ser discípulos de Cristo, convidados a seguirem os passos do Senhor, levando-O a todos nos vasos de barro dos próprios corações. Nesse sentido, todas as passagens dos Evangelhos são bastante diretas, pois, indicam a forma de Jesus agir e reconhecer as necessidades de todos aos seu redor, de maneira especial dos sofredores. Em todos os momentos, Jesus apresenta como deveria ser vivida a verdadeira religião, ou seja, o que significava ser fiel a Deus e professar a fé. Segundo a Lei, todo judeu deveria guardar e repousar no dia de sábado, como um dia consagrado ao Senhor. Momento no qual cada um recordava e fazia memória dos grandes feitos divinos, principalmente por ter sido liberto da escravidão pelo poder e amor de Deus.
Desse modo, o sábado era um dia consagrado à religião, isto é, um dia de oração, de louvor e de agradecimento a Deus, no qual nenhum trabalho deveria ser realizado. Sendo assim, segundo a Lei, quando Jesus realizava a cura de alguém, ou se colocava diante de alguém em situação de necessidade, ele descumpria a Lei, sendo reprovado por todos os que estavam ao seu redor. Todavia, ao recordar o aspecto fundamental pelo qual o sábado foi consagrado, isto é, como um dia da ação divina que liberta, salva e cura os seus filhos e filhas, Jesus dá um sentido profundo às suas ações. Ou seja, é a indicação da Lei de que todos mantenham o sábado como um dia da recordação da ação libertadora de Deus, isto é, de Sua mão poderosa que salva o seus filhos e filhas. Sendo assim, salvar a vida, curar os doentes libertar os cativos, salvar os que estão em situação de necessidade é missão de todos os que professam a Fé. Ao responder aos que o acusavam, Jesus dá uma indicação clara para todos os que desejavam e ainda hoje desejam segui-Lo como seus discípulos e discípulas. Isto é, a postura de Jesus abre espaço para iluminar como deve ser vivida a Fé professada pelos cristãos, que tem no Domingo o dia consagrado ao Senhor.

Sendo assim, chamados a carregar o tesouro que é Cristo nos vasos de barro dos corações, os cristãos encontram nas passagens dos Evangelhos indicações de como devem viver a Fé. Ou seja, de como viver a verdadeira religião, cumprindo o preceito, no dia consagrado ao louvor a Deus, na escuta de Sua Palavra e partilha do Corpo e Sangue de Cristo. De fato, todos os cristãos são convidados por Deus a levarem o Seu Filho pelas estradas do mundo, ainda tão marcado por tamanhas contradições e violência. Mas, para que isso aconteça é preciso que todos reconheçam que guardar o preceito não é simplesmente ir à missa ou à celebração da Palavra, mas, sobretudo, viver a compaixão, a caridade, o serviço e a partilha, principalmente na direção dos que mais precisam e sofrem. Desse modo, a Luz de Cristo brilhará vivamente nos vasos de barro que são os corações dos cristãos, chamados, pela graça de Deus a serem discípulos de Cristo. A compaixão será a marca da vida daqueles que celebram e vivem a Fé, não somente no dia consagrado ao Senhor, mas, em todos os momentos da vida. Desse modo, a verdadeira religião acontece, quando a escuta da Palavra e a profissão de Fé se tornam modo de vida e a vida, por sua vez, é iluminada pela Palavra acolhida e pela Fé professada.

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e Doutor em Sagrada Escritura

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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