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"TRAZEMOS ESSE TESOURO EM VASOS DE BARRO"

“TRAZEMOS ESSE TESOURO EM VASOS DE BARRO” (2COR 4,6) – PRIMEIRA PARTE

O seguinte artigo, devido à sua extensão será dividido em duas partes, a primeira apresentada agora no mês de Julho e a segunda na edição de Agosto. Na sua primeira parte apresentaremos a reflexão do texto de Paulo aos Coríntios e na segunda as implicações na vivência dos cristãos, chamados ao caminho do discipulado missionário.

A Segunda Leitura aos Coríntios no capítulo 4,6-11, traz a afirmação do apóstolo Paulo sobre a fragilidade da vida do cristão e o valor do tesouro a ele oferecido, isto é, o próprio Cristo. A imagem dos vasos de barro é peculiar e muito particular, pois, acentua e coloca em relevo alguns aspectos importantes da vida de cada cristão, chamado a ser discípulo de Cristo.

De fato, o grande contraste entre o vaso de barro e o tesouro nele depositado é o primeiro aspecto a ser observado, pois, revela a diferença entre os dois, acentuando assim o valor do tesouro em relação ao vaso. Nesse sentido, o acento recai sobre a reflexão do apóstolo sobre a fraqueza humana e a força da graça de Deus, que no homem opera sempre, em favor do Reino de Deus. Segundo o apóstolo, a fragilidade humana é o vaso no qual Deus, por meio de seu desejo de salvação, depositou o tesouro que é o próprio Cristo, de modo que, o homem, animado pela graça divina, possa levar esse inestimável tesouro a todos. Desse modo, a imagem torna-se clara, visto que reflete a relação entre a fragilidade humana, indicada pelos vasos de barro e a imensidão de Cristo, o Seu Evangelho, Sua presença, apresentada como o grande tesouro na vida de cada cristão.

Um outro elemento importante, que pode ajudar na compreensão da imagem apresentada por Paulo, encontra-se no livro do profeta Isaías, quando ele afirma: “nós somos a argila e tu és nosso oleiro, todos nós somos obra das tuas mãos” (Is 64,7). A oração do profeta se eleva diante do Senhor, a fim que não se esqueça de que “matéria” são feitos todos os seus filhos e filhas, ressaltando a fragilidade humana diante da imensa bondade divina. Junto a isso, o profeta também clama ao Senhor, de modo que continue trabalhando na obra de suas mãos, a fim de levar à plenitude o que em seu povo iniciara. Pois, sendo o desejo de Deus de tornar o seu povo, um sinal de salvação para todos os demais povos, isso somente seria possível, se na argila de seus corações a graça divina tralhasse continuamente. A imagem é manifestação clara do desejo de Deus de trabalhar em seu povo, de modo que seja capaz de receber a graça divina e ser dela um portador, assim como indica também o profeta Jeremias (Jr 18,1-11).

Desse modo, quando o apóstolo Paulo ressalta a diferença existente entre os vasos de barro e o tesouro neles depositado, quer indicar a força da graça de Deus que atua na vida daqueles que acolhem a Luz de Cristo. De fato, o que une os vasos de barro e os fazem capazes de trazerem em si tamanho tesouro é a potência da graça de Deus, assim como afirma o apóstolo na Carta aos Coríntios. Esse poder extraordinário provém de Deus, e é o que garante que cada cristão, apesar de sua fragilidade, seja portador da Luz de Cristo, do esplendor de sua glória. Desse modo, os discípulos de Cristo, como vasos de barro, isto é, em sua fragilidade humana, são portadores de uma imensa graça, carregam em si mesmos o maior de todos os tesouros, ou seja, o próprio Senhor.

Assim como é frágil o vaso de barro, como facilmente pode se quebrar e se perder, do mesmo modo são frágeis os cristãos, chamados a ser discípulos missionários de Cristo. Todavia, apesar de tamanha fragilidade e, por vezes inconstância, Deus, em sua imensa bondade e amor, deseja contar com tais vasos de barro, isto é, deposita no coração de cada cristão, a Luz de Cristo Ressuscitado.

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e Doutor em Sagrada Escritura

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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