buscar
por

TRABALHO E JUSTIÇA SOCIAL

A temática do trabalho tem preocupado o Papa Francisco desde os primeiros dias do pontificado e sempre ele correlaciona com as questões da economia atual e não tem dúvidas de que “o trabalho é a base da democracia”. Somente assim podemos pensar a justiça social a partir do mundo do trabalho. Mas a “economia atual está doente” porque grande parte dos empresários, que são a base fundamental para o trabalho, tornaram-se especuladores, incapazes de criar trabalho e produtos.

Portanto, o desemprego é a chaga que não cicatriza no mundo globalizado de hoje. Muitos empresários, segundo o Papa, “vêem a empresa e os trabalhadores como meios para obter lucro. Demitir, fechar, mudar a empresa constitui nenhum problema para eles, porque o especulador usa, instrumentaliza, alimenta-se de pessoas e meios para alcançar os seus objetivos de lucro”.

Em alguns comentários Francisco nos garante que o “trabalho é sagrado”, pois expressa o fato de sermos criados à imagem de Deus. O mercado divinizado não pode ser posto como único agente para dar direção às relações de trabalho; trata-se de uma responsabilidade humana e social. A perda de postos de trabalho tende a se constituir em grave dano social. E o Papa nos diz que nas famílias onde há desempregados nunca é domingo ou dia de festa, pois se sabe que na segunda-feira ou no dia seguinte não há trabalho. Por isso, os governantes devem envidar todos os esforços para encontrar postos de trabalho para que todos possam estar contemplados com este direito de cidadania. A luta por um trabalho é compromisso fundamental de cada cristão, pois tem a ver com a dignidade das pessoas. Infelizmente nos dias atuais vemos decrescer esta dignidade quando uma pessoa é obrigada a aceitar um trabalho escravo ou com valores remunerativos extremamente reduzidos. A diferenciação salarial por motivo de sexo ou raça é a comprovação da prática da injustiça e da falta de democracia em qualquer sociedade.

Não é possível que com tanta tecnologia à disposição do homem ainda há no mundo 767 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, ou seja, que sobrevivem com menos de dois dólares por dia. Não é possível que num país como o Brasil quase 1/5 da população sobrevive abaixo da linha da pobreza, mesmo trabalhando no campo onde “plantando-se, dá”.

Na Encíclica Laudato Si está escrito: “A beleza da terra e a dignidade do trabalho são feitas para estarem juntas”. No Brasil, em tempos passados, um Documento Episcopal dizia que o “Grito da Terra era o Grito dos Pobres”. Em nosso meio, a ausência de terra para cultivar representa o equivalente à falta de trabalho. Então a equação ficaria formada desta forma: TRABALHO – SALÁRIO – TERRA. É o tripé da justiça social para a qual a fé cristã compromete todos os batizados.

Edebrande Cavalieri
Doutor em Ciências da Religião

editor1

Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

Mais posts do autor

COMENTÁRIOS