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Tolerância nas relações

A Carta Encíclica Pacem in Terris é um dos mais importantes documentos escritos pela Papa João XXIII, contribuindo significativamente para a Doutrina Social da Igreja. Nela, o Papa reconhece a relevância dos Direitos Humanos a partir dos princípios cristãos, fazendo referência à Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU em 1948. Esses direitos são universais, invioláveis e inalienáveis. Essa referência tornou-se um expressivo e histórico posicionamento adotado no âmbito do Magistério Eclesial sobre essa questão.

Nela, o Papa nos ajuda a refletir sobre a tolerância (vista hoje por alguns autores na perspectiva da acolhida). Uma reflexão que continua atual e significativa no momento em que nos preparamos para o Natal do Senhor (o Príncipe da Paz) e em meio aos noticiários que confirmam a necessidade de uma cultura da Paz, fundada na tolerância.

O documento pontifício aponta para uma dimensão essencial das relações de convivência: a nossa abertura ao mundo dos valores culturais e espirituais (verdade, justiça, caridade, liberdade), que leva a conhecer melhor o verdadeiro Deus, transcendente e pessoal, e a colocar nossas relações com Deus como fundamento da vida pessoal e social.

A convivência humana só poderá ser bem constituída, frutuosa e de acordo com a dignidade humana quando for fundada sobre a verdade. Isso só será possível se cada um reconhecer devidamente os próprios direitos quanto os próprios deveres para com os demais. Isso requer que os cidadãos, guiados pela justiça, se dediquem ao respeito dos direitos alheios e ao cumprimento dos próprios deveres; deixando-se conduzir por um amor que sinta as necessidades dos outros como se fossem suas. Em outras palavras, o Papa acentua a importância da empatia, da compaixão, da alteridade.

A tolerância pressupõe também o diálogo entre as diferentes culturas, que nos enriquece intelectual e espiritualmente, por meio de um processo contínuo de aprendizagens. As particularidades de um grupo étnico-racial não podem transformar os seres humanos em compartimentos estanques, impossibilitando o diálogo e as relações sociais. Ao contrário, os traços comuns entre as culturas e os povos devem ser levados em consideração tendo em vista a comunhão de uns com os outros.

O Papa atribui a todas as pessoas de boa vontade a imensa tarefa de restaurar as relações de convivência humana na base da verdade, da justiça, do amor e da liberdade. Pois, a paz na sociedade humana depende da paz em cada um dos seus membros, se em cada um instaurar a ordem querida por Deus.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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