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Toda opção é política

Toda opção que fazemos implica, necessariamente, uma escolha política. Por que seria diferente quando os meios de comunicação optam por colocar na capa de seus jornais, nas principais manchetes do telejornalismo ou nas notícias do rádio esse ou aquele assunto, em detrimento de tantos acontecimentos da sociedade? Aqui, tanto quanto lá, a escolha é política.

Se tivermos clareza de que lidamos com um grande monopólio dos meios de comunicação, percebemos que algumas e poucas famílias escolhem o que eu e você lemos, vemos e ouvimos. Tanto em nível global quanto local, os meios de comunicação estão concentrados nas mãos de poucos. E são esses poucos que decidem o que é ou não um acontecimento digno de ser lido, visto e ou ouvido. E toda escolha é, essencialmente, política. Ditada pelos Frias (Folha de São Paulo); Marinhos (TV Globo/O Globo); Mesquitas (O Estado de São Paulo); Civitas (Editora Abril/Veja). Nem precisamos nomear os que fazem as escolhas em nível local. Basta ver quem dita o que é noticia nas principais TVs locais, sempre afiliadas das redes nacionais. Ou seja, sempre as mesmas famílias.

O monopólio dos meios de comunicação foi tema de um discurso lido no Encontro Mundial dos Movimentos Populares, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, pelo Papa Francisco no mês de julho, em sua visita à América Latina.

Durante a sua fala o Papa falou dos 3T: Terra, Teto e Trabalho. Segundo Francisco: “A justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, o encargo é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e às pessoas o que lhes pertence”. No mesmo discurso, ao se referir aos meios de comunicação, o Papa disse, firmemente: “a concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra forma que adota o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico”. E é desse colonialismo ideológico que todos somos reféns.

O surgimento de novas formas de comunicação fomentadas a partir das redes sociais, têm tentado fazer com que todos sejamos protagonistas ou Gatekeepers do que lemos, vemos ou ouvimos; tornando cada um de nós um possível produtor de conteúdo. As iniciativas, ainda tímidas, têm feito com que os conglomerados de mídias repensem os suportes e os meios de fazer com que o público participe ativamente dos seus conteúdos. A criação de figuras como o ombudsman, a reunião de conselhos de leitores, o aumento do espaço para textos opinativos, e a interação fazendo uso das próprias redes sociais, são exemplos postos em prática hoje em vários meios de comunicação.

Cabe a nós, cidadãos e consumidores, sabermos a hora de usarmos o controle remoto e trocarmos de canal, mexermos no dial ou procurarmos novos paradigmas na nossa leitura do dia a dia. A escolha, sempre política, é, também, sempre nossa.

Emília Manente
Jornalista e professora do curso de Jornalismo da Faesa

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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