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“Ternura de Cristo”, eu espero estar e, com a ajuda de Deus, conseguir viver isto

DSC_0031_Monsenhor Edivalter Andrade, membro do clero da diocese de São Mateus, nomeado bispo de Floriano (PI) pelo Papa Francisco, se prepara para os desafios de sua nova missão. Sua Ordenação Episcopal será no dia 10 de junho em Barra de São Francisco e a posse em 24 de junho, na Catedral São Pedro de Alcântara, em Floriano.
vitória – Ser bispo era algo que o senhor pensava pudesse acontecer?
Mons. Edivalter - Para dizer a verdade eu nunca me imaginei bispo. Mas, depois de passar por diversos serviços diocesanos, comecei a ouvir de colegas que eu poderia ser chamado para esta missão. Estando muito próximo de Dom Aldo, depois de Dom Zanoni e agora de Dom Paulo, eu pude perceber o quanto é difícil a missão de um bispo. Eu ficava pensando que para mim isto não caberia, que eu não me encontrava apto para esta missão. Eu sempre considerei a missão de bispo grande demais para minha limitada capacidade.

vitória – E agora, já se sente apto para esta missão? E como foi a reação do senhor ao receber o convite?
Mons. Edivalter - A gente tem sempre presente o que é falado na Pastoral Vocacional: “Deus não chama os capacitados, mas Ele capacita os que Ele chama”.
Recebi a notícia da decisão do Santo Padre por Dom Paulo Dal’Bó, nosso bispo diocesano, que recebeu do Núncio Apostólico a tarefa de me transmitir o recado.
Eu levei um susto, comecei a suar frio, fiquei trêmulo e um pouco pensativo, e ao mesmo tempo contente e feliz. Uma mistura de sentimentos: é medo, apreensão, alegria, mas depois vai surgindo aos poucos aquela confiança, o entendimento que se é Deus que chama através da Igreja então a gente pode dar da pobreza da gente com humildade. Na mistura de sentimentos vai sobressaindo, aos poucos, a confiança no chamado de Deus.
Eu vi também como a confirmação do primeiro chamado, um desdobramento daquele primeiro sim, quando solicitei a ordenação diaconal e depois presbiteeral. Então eu aceitei o chamado e estou confiante que Deus vai me guardar e me guiar nesta nova missão.

vitória – Como o senhor está lidando com a ideia de assumir uma nova função e ir para uma diocese em um lugar ainda desconhecido?
Mons. Edivalter - Eu nunca tinha ouvido falar de Floriano, no Piauí. Então, estou indo para o desconhecido, mas eu sempre escutei na minha formação presbiteral, mesmo sendo diocesano, que a gente se forma padre para a Igreja. Então, mesmo não conhecendo a cidade, a diocese, as pessoas de lá, eu acolho com alegria este chamado e vou na certeza de que serei bem acolhido pelo povo. Já recebi muitos sinais e manifestações de acolhimento e carinho de lá e também aquele povo já está em meu coração desde o primeiro momento em que eu fui comunicado da decisão do Santo Padre.
São grandes os desafios e eu sinto que o principal deles tem a ver com a extensão geográfica, pois a diocese de Floriano possui uma área de mais de 48 mil quilômetros quadrados.

vitória – O senhor acredita que a realidade de lá é muito diferente de São Mateus a que está habituado?
Mons. Edivalter - Creio que sim, imagino que há uma situação de pobreza e que infelizmente está presente em vários lugares do Brasil. Agora, do ponto de vista pastoral, imagino que há algumas coisas parecidas: o jeito de caminhar da Igreja de lá, o compromisso com as comunidades eclesiais de base, o compromisso com os pobres. Penso que isso é um pouco da realidade de lá também.

vitória – O Clero de São Mateus não é muito numeroso. Sua ausência fará falta na Diocese?
Mons. Edivalter - De fato, nosso clero não é numeroso. Graças a Deus a Diocese amadureceu muito em termos de número e qualidade de padres. Mas, a Igreja é missionária e todos nós seus membros também. A gente tem que dar da nossa pobreza. Entendo que agora fica o desafio, no qual o bispo com o conselho presbiteral terá que fazer algumas adaptações e ajustes para as funções.

vitória – O lema “Na Ternura de Cristo” (Fl 1,8), foi uma escolha para a ocasião ou era uma frase que já estava em seus pensamentos?
Mons. Edivalter - Desde o dia 08 de março quando eu fiquei sob efeito do segredo pontifício, diversas vezes acordava no meio da noite e me punha a pensar nesse novo ministério. Numa dessas ocasiões eu sentei na cama, peguei a Bíblia e pensei: vou ler as cartas de São Paulo, eu tenho que escolher agora um lema episcopal e vou buscar na experiência missionária de Paulo alguma indicação. Eu comecei a carta de Paulo aos Filipenses e logo nos primeiros versículos encontrei esta manifestação de Paulo: “Eu os tenho no coração com a ternura de Cristo”. A expressão, “a Ternura de Cristo” me chamou muita atenção. Eu entendo que isso é próprio do pastor, faz parte da vocação dele. É como fala a Pastores Dabo Vobis, a encíclica que escreveu o Papa João Paulo II sobre a formação dos presbíteros: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração”. Então, padres e bispos devem viver sua missão ao estilo de Jesus, segundo o coração Dele, com o mesmo amor, com o mesmo carinho com o mesmo afeto que Cristo tem por nós. Então, com esta “Ternura de Cristo”, eu espero estar e, com a ajuda de Deus, conseguir viver isto.

vitória – O senhor participou da 55ª Assembleia Geral da CNBB que teve a vida cristã como tema geral. Como foi receber o convite e o que isso trouxe para o senhor?
Mons. Edivalter - O convite foi uma surpresa. Não sabia que já de imediato eu seria chamado. A primeira constatação que eu fiz foi algo que eu sempre escutei de Dom Aldo, nosso bispo emérito. Ele sempre se referiu às Assembleias da CNBB como uma escola de comunhão.
Pelo clima que marca a Assembleia, pela participação, a opinião de cada um que sempre é ouvida e respeitada. Há, de uma forma muito forte, uma procura de um consenso, num clima de muita fraternidade e comunhão.
Além disso, entendi que os bispos têm de fato um grande desafio que é o pastoreio de um rebanho, mas eles não estão sozinhos. Têm uma referência, um respaldo da CNBB, que procura sempre debater e apresentar pistas, orientações para as questões mais pertinentes, como por exemplo o momento nacional, num país marcado por corrupção, crise política, crise econômica, crise ética.
A Igreja tem algo a dizer num momento como este. Como membro desse episcopado brasileiro sinto-me fortalecido para me colocar diante dessas questões que nos desafiam, ao mesmo tempo que me sinto no dever da comunhão, do agir em sintonia com o pensamento do episcopado brasileiro.

vitória – Então o senhor acredita ser importante a presença da Igreja neste momento de crise que o país está passando? Como vê o papel da Igreja neste momento?
Mons. Edivalter - Sim. Considero fundamental. A Igreja não pode se omitir. Há muitos que querem fazer a Igreja com padres e bispos voltados para a sacristia e acham que a Igreja não tem que se envolver, mas com certeza, esta não seria a postura correta da Igreja.
Nós aprendemos, desde o Concílio Vaticano II, que as alegrias, as esperanças do povo e também suas angustias e suas tristezas estão no coração de Deus, no coração de Cristo e também no coração da Igreja. A Igreja tem que se preocupar sim e ajudar o povo a ter uma leitura crítica dessa realidade. Porque os meios de comunicação, em geral, passam a informação segundo a conveniência de quem detém ‘um poder’. Isso é fundamental na missão da Igreja. E, claro que o bispo e o padre também precisam participar disso e serem também aqueles que transmitem ao povo este pensar da Igreja.

vitória – Qual mensagem o senhor deixa aos fiéis da Diocese de São Mateus e o que gostaria de dizer aos fiéis que o receberão em Floriano?
Mons. Edivalter - Ao povo de São Mateus quero expressar meus sinceros agradecimentos. Está sendo muito bom sentir a vibração do povo todo, na minha paróquia, na diocese. Muitas manifestações de carinho, de alegria porque o Papa Francisco escolheu mais um representante do clero Diocesano de São Mateus para ser bispo.
Há três anos tivemos a nomeação de Dom Ailton Menegussi, que está em Crateús, as pessoas dizem que isso é um presente de Deus para a igreja de São Mateus. A gente sente que vai ficar com saudade, mas é motivo de muita alegria.
Ao povo de Floriano também quero expressar meu muito obrigado pela acolhida manifestada por tantos, com palavras carinhosas e também pelas orações que estão fazendo pelo novo bispo. Me disseram, os padres de lá, que desde quando a diocese ficou vacante, o clero, o povo, os religiosos e religiosas começaram a rezar para que Deus enviasse um novo bispo.
Então chegou este momento e eles ficaram felizes e manifestaram isso com relação a mim e eu também estou muito grato pelas manifestações de carinho.

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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