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Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus

Durante esse ano jubilar da misericórdia, esse tema tem sido apresentado em diversos âmbitos e espaços da vida eclesial. De fato, somos levados a perceber que a experiência da misericórdia de Deus, como fonte da grande alegria deve ser a experiência cotidiana de cada cristão católico, chamado a ser discípulo de Cristo. Vimos que a misericórdia é a manifestação da essência de Deus que ama e perdoa, que acolhe e sustenta, que protege e conduz, que alimenta e, por sua fidelidade, jamais abandona os seus eleitos. Em vista disso, não é possível compreender uma experiência de fé que não passe diretamente por uma experiência da misericórdia divina. Isto é, o cristão deve procurar a misericórdia de Deus como fonte que o alimente e sustente, ao mesmo tempo que deve fazer deste momento de intimidade com o Senhor, um espaço de aprendizado para a vivência da fé.

Todo aquele que deseja seguir Cristo como seu discípulo, não pode afastar-se jamais da misericórdia divina que é o lugar no qual encontra a fonte para refazer sempre suas forças, a fim de que seja capaz de conduzir tantos quantos a ele se achegarem ao mesmo mar de misericórdia.     A misericórdia divina expressa o agir de Deus que demonstra a sua fidelidade ao seu projeto de amor, sendo o mantenedor da aliança, muitas vezes rompida pelo seu povo eleito. Desse modo, viver segundo a misericórdia não significa uma mera elaboração intelectual, mas sobretudo, um modo de vida, uma atitude concreta que marca e direciona toda a existência humana. Sendo assim, o aspecto relacional da misericórdia revela que, todo aquele que faz a experiência de ser acolhido por Deus, deveria ser capaz de traduzi-la em suas palavras, em suas escolhas e em seu modo de vida.

Neste ano da misericórdia existe um convite feito a todo homem e mulher de nosso tempo, o de deixar-se tocar desde o coração às atitudes diárias. Não se pretende fazer um discurso somente sobre necessidades e urgências, mais que isso, deseja-se dirigir uma palavra fecunda ao homem real. Este que se apresenta com suas limitações e desafios, suas questões e coragem, seus limites e conquistas, suas dúvidas e escolhas, suas ambiguidades e verdades, enfim, o homem em sua própria vida cotidiana.  É a esse homem concreto, real, do dia a dia, marcado por sua racionalidade e sentimentos, humanidade e espiritualidade que o convite à fazer a experiência da misericórdia é dirigido.

Por isso, somente no seguimento de Jesus que é o rosto da misericórdia do Pai, será possível ao cristão encontrar caminhos para que a misericórdia se torne a fonte de sua vida interior e o motor de suas ações. O que emerge, nos Evangelhos, sobre a pessoa de Jesus é que ele possuía um estilo muito próprio, em sua vida cotidiana, em seu modo de falar, de estar com as pessoas, em seus encontros, quando tocava as vidas sofridas e machucadas de cada um que encontrava em seu caminho. Suas posturas foram determinadas por uma firme decisão de unir-se ao Pai, de modo que tal urgência transparecesse em suas atitudes, principalmente, na direção dos pequenos e sofredores. Por isso, aquele que deseja tornar-se sinal da misericórdia de Deus deve dirigir a sua vida pela íntima união com Cristo, a fim de ter, como diz São Paulo aos Filipenses: “os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2,5).

Pe. Andherson Franklin
Professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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