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TEMPOS NEBULOSOS

Este artigo está sendo escrito em meados de outubro, entre o primeiro e o segundo turnos das eleições presidenciais de 2018. Antes, portanto, de se saber se a proposta vencedora foi a da democracia e por um Brasil soberano e inclusivo; ou a do racismo, misoginia, homofobia e apologética da violência.

Independentemente do resultado do segundo turno, o quadro eleitoral do primeiro turno demonstra que cresceu junto ao eleitorado a opção por candidatos ao parlamento que escolheram discurso pouco compatível com a valorização e respeito à diversidade. Discurseiros moralistas cujas ações na vida cotidiana demonstram desrespeito a valores humanos como o da igualdade entre os seres e a aceitação de diferenças de gênero, raça, opção sexual e religiosa.

Patrocinados e instigados por coberturas na mídia de mercado e por manipulações nas redes sociais, a crescente promoção do ódio ganhou púlpitos de diversas denominações religiosas. Em um Estado laico predominou o uso de concessões de rádios e TVs para a propaganda dita religiosa distinta do que pregou o inspirador do cristianismo.

Instigados por coberturas ‘jornalísticas’ ao longo de dias, meses, anos, décadas, a parcelas consideráveis da população só restou o medo. Medo de questões concretas e complexas – como a violência, o desemprego, a falta de perspectivas futuras – para as quais as respostas fornecidas por ‘especialistas’ eram simplistas. Intervenção militar como a ocorrida no Rio de Janeiro; armar a população; ampliar a liberdade de grandes estrangeiras atuarem no País; livre funcionamento do mercado, e outras, veem há muito sendo apresentados como panaceia para a salvação nacional.

O resultado foi a manutenção de um Congresso com a predominância das bancadas ruralista, do armamento e da intolerância religiosa. Em seu conjunto apologista da violência, da destruição ambiental e da fé obscurantista.

Essa composição parlamentar leva a duas possibilidades a partir de 2019. Por um lado, enfrentamento dela por um eventual Presidente da República progressista e defensor de um Brasil com melhor uso de seu potencial econômico para uma melhor distribuição do progresso junto à maioria da população. Enfrentamento que necessariamente passará pelo apoio de movimentos sociais por um País mais justo e fraterno.

Por outro, a legalidade de medidas reacionárias a conquistas sociais – com destaque para a legislação trabalhista; a reforma da previdência social; o direito a saúde, educação, assistência social. E também aquelas entreguistas de riquezas nacionais a estrangeiros – ênfase para o pré-sal e a tecnologia que permite sua exploração; para o conhecimento incorporado na EMBRAPA, na EMBRAER e na Fundação Oswaldo Cruz.

Seja qual tenha sido o resultado do segundo turno, estaremos aos olhos da história em momento de inflexão. Que ela seja em favor da democracia como forma dos brasileiros trilharem dias melhores social, econômica e politicamente é tudo que eu desejo, neste 12 de outubro de Nossa Senhora Aparecida e das crianças.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
arlindo@villaschi.pro.br

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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