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Socorro! O grito do Rio Jucu

Com 168 km de extensão e responsável por abastecer as cidades de Vila Velha, Domingos Martins, Marechal Floriano, parte de Cariacica e a Ilha de Vitória, o Rio Jucu, pede socorro!

Da nascente, em São Paulinho do Aracê, nas proximidades da Pedra Azul, até a Praia da Barra do Jucu, onde desemboca em Vila Velha, o rio apresenta alguns problemas que merecem atenção urgente.

Cerca de um milhão e 100 mil pessoas dependem das águas do Jucu. O rio que abastece o maior número de cidades da região metropolitana, é o que também, segundo especialistas, recebe o maior volume de esgoto sem qualquer tipo de tratamento. Além disso, sofre as consequências do desmatamento e também da seca.

O Jucu segue seu curso solitário. Os rios Formate e Marinho, que desembocavam nele praticamente inexistem. Estão tomados por poluição e por gigogas, aquelas plantas que vivem em valões e esgoto. Elas já cobriram todo o rio.

A vida marinha, no rio Jucu, também está se esvaindo aos poucos. Os pescadores da região reclamam da quantidade de peixes encontrados mortos no local. A situação gera protestos. Uma vez por ano, ativistas ambientais, recolhem esses peixes e depositam na sede do palácio do governo, para chamar a atenção do governador para o problema.

A seca, é um outro agravante. Segundo especialistas, os períodos de seca e de chuva acontecem todos os anos, a afirmativa é tão verdadeira que basta lembrarmos o quadro que está estampado no Convento da Penha, retratando um longo período de estiagem. Na ocasião, a população clamou a intercessão de Nossa Senhora da Penha e voltou a chover copiosamente no Estado.

Hoje a população é maior e ainda contamos com o agravante do fenômeno climático El Ninho, que afetou a quantidade de água não só no Estado, mas de uma forma global.

O fato é que se não cair a chuva esperada em janeiro corre-se o risco de racionamento em cidades da região metropolitana, como já vem acontecendo em cidades do interior.

A falta de água e o volume de esgoto nos deixa outro alerta. Como está a qualidade da água que consumimos? Quanto mais poluído o rio, maiores quantidades de aditivos químicos precisam ser utilizados para garantir água potável. Mas como nossos organismos resistirão no futuro a tanta intervenção química?

Mas, será que ainda há solução para salvar o rio Jucu? Para alguns especialistas e estudiosos do assunto, com planejamento e ações do poder público e da sociedade o problema pode ser superado.

O governo do estado propõe a construção de barragens que funcionarão como uma espécie de grandes reservatórios de água. Ativistas e sindicalistas, no entanto, discordam desta estratégia governamental. Para alguns, a medida é paliativa e não uma solução definitiva. Outros acreditam, que barragem é uma forma de matar os rios definitivamente.

Bom, solução para o problema existe. O que existe também é incomunicação ou interesses que não atendem de forma adequada a maioria da população. Enquanto isso, os rios vão sofrendo, a população em geral segue desinformada e gastando água sem pensar no amanhã.

Renata Rocha
Gerente de Jornalismo da RCR-ES

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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