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(Re)conciliação

O cenário mundial é de crise em todas as dimensões possíveis. Valores éticos, morais, culturais estão sendo postos de lado em nome de avanços de poderes hegemônicos. Hegemonia econômica e militar que se impõe a interesses sociais e à convivência; imposição que leva a rupturas em laços históricos entre pessoas, vizinhos, colegas, compatriotas e povos.

Rupturas que geram desencanto com conquistas pretéritas, desilusão com a situação presente e desconfiança com relação ao futuro. Desencanto, desilusão e desconfiança que demarcam diferenças entre gerações, mas que cria um campo de pessimismo acentuado que muitas vezes leva à inércia e à passividade.

Passividade que precisa ser superada com o resgate de valores que alicercem a construção de uma outra ordem mundial. Ordem mundial que pode ser pensada a partir da realidade mais próxima a cada País. No caso do Brasil, o pensar uma nova realidade passa necessariamente pelo conciliar com a história de sua formação socioeconômica.

Formação que precisa ser revisitada para que seja superado o complexo de vira-lata apontado por Nelson Rodrigues. A quem interessa perpetuar sentimento de inferioridade de um povo constituído pela fusão de raízes tão diversas como a de nossos nativos, dos colonizadores portugueses e dos escravizados vindos da África?

Natureza dizimada pela ganância que caracteriza parte substancial da geração de riqueza no País – ao longo da história e de forma crescente no passado recente e no presente. Exploração irracional questionada por figuras como a de José Bonifácio, no Brasil ainda colônia; e por ativistas mais recentes em prol do meio ambiente como o gaúcho José Lutzenberger e o capixaba Augusto Ruschi.

Valorizar a gente e a natureza brasileira passa longe da agenda política daqueles que a querem diminuídas em benefício de classes dominantes que atuam de forma perversa desde sempre. O contraponto a essa perversidade está no exercício da cidadania plena através de micro ações no âmbito familiar, do trabalho, da comunidade, dos encontros para a proclamação da fé, da cultura, da sociabilidade.

Tempo desperdiçado com noticiários tendenciosos e com programas de TV desagregadores do tecido ético e moral, pode ser usado para buscas no Youtube. Buscas que encontrarão documentários bem feitos sobre a gente (‘O povo brasileiro’, de Darcy Ribeiro), a natureza (sobre as lutas de Lutzenberger, Ruschi, Washington Novaes, dentre outros), e a saga pelo desenvolvimento do País (‘O longo amanhecer’, de José Mariani, por exemplo).
Romper com o círculo vicioso da informação tendenciosa que leva ao complexo de vira lata, que alimenta o desalento, que fertiliza a informação tendenciosa é tarefa que precisa inspirar pessoas e grupos compromissados com o bem comum. Bem comum que há de vir com a construção de um outro possível mundo.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia e Coordenador do Grupo de Pesquisa em Inovação e Desenvolvimento Capixaba na UFES 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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