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Quinze minutos de fama ou quinze segundos para destrui-la?

Nos anos 1960, o artista estadunidense Andy Warhol (1928-1987) fazia um ensaio fotográfico ao ar livre para o lançamento de um de seus livros. Sua presença em um lugar público acabou reunindo uma multidão. As pessoas não queriam apenas acompanhar as fotos, mas também aproveitar para aparecer nelas. Vendo tal fenômeno, Warhol – famoso pelos seus quadros que retratam garrafas de Coca-Cola ou ícones pop como Marilyn Monroe – cunhou uma das frases mais famosas: “No futuro, todo mundo será famoso por 15 minutos”.

Décadas depois, vemos que diversos elementos dessa sua profecia sobre os “eternos” 15 minutos de fama permanecem válidos. Ou até foram reforçados com o passar do tempo, tornando cada vez mais atual aquele “futuro” sonhado pelo artista. Dos paparazzi – que invadem a privacidade alheia – aos “big brothers” – que expõem voluntariamente a própria privacidade –, vemos que o desejo de “aparecer por aparecer” tornou-se quase um objetivo de vida. Aparecer é sinônimo de estar vivo. A sensação é de que ser famoso não está apenas ao alcance de “qualquer um”, mas sim de “todos”, muitas vezes até mesmo quando não se quer.

Surgem, assim, as chamadas “celebridades instantâneas”, criadas e destruídas sob medida para agradar o grande público (ou ser esquecido por ele). Durante o tempo de sua validade, são onipresentes nas conversas de bar, na escola e na família. Ascendem ao palco regional, nacional ou internacional e lá permanecem enquanto durar o interesse dos fãs e dos patrocinadores – também instantâneos.

Em tempos de internet e de uma comunicação global extremamente veloz, a efemeridade daqueles 15 minutos pode ser ainda maior, mas o alcance dessa fama ficou muito mais fácil: qualquer um pode aparecer ao mundo com um mero clicar de botões. Se conseguir se diferenciar por suas qualidades ou defeitos – ou pelo exagero radical de ambos –, meio caminho estará trilhado. Na internet, como diz o ditado, todo mundo pode ser famoso para 15 pessoas. Contudo, cada uma dessas 15 pessoas está conectada com outras 15, e aí as redes facilitam a “multiplicação das efemeridades”.

Muitas vezes, porém, essa fama instantânea pode perdurar, surpreendentemente, dando seus frutos positivos, em diversos âmbitos. Temos diversos casos de subcelebridades que, aprimorando suas qualidades pessoais ou suas especialidades artísticas, mantiveram a fama por mais tempo; ou ainda ampliaram o seu alcance em relação a públicos mais vastos; ou mesmo aproveitaram a fama inicial como impulso para se destacar em outras áreas – chegando até, em alguns casos, ao Congresso nacional.

O problema mesmo é quando chegamos a um processo inverso e muito mais problemático no longo prazo: deputados e deputadas que, em 15 segundos, desfazem toda e qualquer fama, reputação e relevância política. Esse fenômeno, sim, é muito mais grave e preocupante.

Moisés Sbardelotto
Jornalista e doutor em Comunicação. É autor de “E o Verbo se fez bit” (Editora Santuário) 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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