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Proclamar a Palavra

O Concílio Vaticano II, particularmente pela Constituição “Sacrosanctum Concilium” (SC – sobre a Liturgia) e pela Constituição Dogmática “Dei Verbum” (DV – sobre a Revelação Divina), elucidou a importância da Palavra na liturgia, como também promoveu a tradução do texto latino para o vernáculo, a fim de que cada nação proclame a Palavra em sua própria língua.

Na liturgia, pela ação do Espírito vivificante, a proclamação da Palavra manifesta o amor sempre eficaz do Pai através do Verbo Jesus Cristo, no contínuo e transformador diálogo da Aliança com o povo reunido em assembleia. Diálogo que é concessão de vida plena para todos, diante dos inúmeros contextos e realidades históricas. A Palavra é luz que ilumina os ângulos ainda obscuros da humanidade, expressando a verdade sempre libertadora e edificante do Criador.

Na consciência de que Cristo “está presente na sua Palavra” (cf. SC 7), é importante e decisivo proclamar o bem e sua notícia de vida na assembleia celebrante, seja por parte dos ministros ordenados, como também dos ministros leigos escolhidos e com investidura para o ministério da proclamação. Seja considerado o quanto uma limitada proclamação compromete o objetivo e o efeito aos quais se destinam a Palavra.

A maneira de proclamar dos leitores, em comunicação e expressão, é o diferencial necessário e adequado para a finalidade da liturgia da Palavra. Clareza na entonação vocal e harmonia na postura são dimensões que indicam o conteúdo escriturístico meditado e assimilado com convicção por quem proclama. A proclamação se dá, exclusivamente, na mesa da Palavra (ambão), a qual é um dos pólos do espaço da celebração, em consonância com a mesa do altar: ambas criam unidade. Por isso, por exemplo, é que o canto de comunhão sempre retoma, em versos poéticos e melodia, o conteúdo do Evangelho do dia, quando não se opta por cantar a antífona própria da comunhão, conforme o Missal Romano.

Na mesa da Palavra é indispensável a utilização do Lecionário como referência dos textos bíblicos a serem proclamados, e não a fixação na utilização de folhetos ou livretos com os textos da liturgia do dia. O Evangeliário, livro que contém somente o Evangelho para os domingos e solenidades, seja também valorizado nos referidos dias, sendo trazido na procissão de entrada, colocado sobre o altar e dele tirado para a proclamação solene. A Palavra, exatamente, não é o livro em si, mas o conteúdo que é proclamado a viva voz, com a devida ênfase e comunicação.

A atitude da assembleia deve ser de atenção e escuta para com quem proclama a Palavra, sem a necessidade de a comunidade ter os textos em mãos, uma vez que a relação é dialogal. Uma proclamação exata e uma acolhida atenta e disposta superam impressos, aplicativos em aparelhos celulares ou tablets, como também projeções. Desafio para quem escuta, e desafio primeiro para quem proclama.

Qual a realidade da sua comunidade? Importante e urgente ampliar este assunto a partir das equipes de celebração, em vista da qualidade celebrativa.

Frei José Moacyr Cadenassi, OFMCap

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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