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POR UMA CATEQUESE JUBILAR

Tomamos como base de nossas reflexões diversas fontes de catequese. Nos primeiros artigos fomos buscar informação sobre como se dava a catequese nos primeiros tempos do cristianismo e encontramos a Didaqué, que é o primeiro catecismo cristão. O caminho reflexivo que estamos construindo está na linha da continuidade do anúncio de Jesus para aprofundar e amadurecer o cristão na fé. Portanto, não são aulas de catequese para crianças como normalmente se encontra nas paróquias e comunidades.

Neste texto queremos estabelecer uma referência ao evento do Jubileu da Arquidiocese de Vitória e para isso vamos tomar a fonte principal da catequese que é a própria Palavra de Deus. O que a Bíblia nos instrui a respeito da celebração do Jubileu? Que sentidos podem ser encontrados no texto sagrado?

Nos livros de Levítico (capítulos 25 e 27) e Números (cap. 36), encontramos as principais referências a respeito da vivência do Jubileu para alimentar a fé do povo judeu. E brota imediatamente a ideia de que o Jubileu deve ser vivido e experienciado como um evento libertador. A base deste evento estava na terra e objetivava impedir o acúmulo por parte de algumas pessoas, formando latifúndios; visava também impedir o aumento da escravidão por dívida das pessoas que não tinham como pagar, e impedir a manutenção da propriedade em vista da herança.

No ano jubilar, a terra também descansava e não se devia cultivar nada. Naquele tempo já se perce-bia que era possível, através do uso indiscriminado de plantio, principalmente de cunho monocultor, exaurir o potencial produtivo da terra. O jubileu era assim o momento de recuperação da própria natureza.

Trazendo esta mensagem para os dias atuais que vivemos no Brasil, é preciso reconhecer que nosso povo foi expulso da terra formando as grandes periferias urbanas no chamado êxodo rural. Com tanta terra improdutiva e sem cultivo ainda se vive com tantas pessoas que não têm onde trabalhar, onde morar. Poucos acumulam tantas terras e tantas habitações e muitos vivem à míngua. Assim, o desafio para a vivência jubilar é como restabelecer a ordem original da terra como dom de Deus e dar vida aos empobrecidos! O papa Francisco nos diz que “se o jubileu não chega aos bolsos, não é um verdadeiro jubileu”. (Audiência geral, 4ª feira de cinzas 2016).

Ao mesmo tempo e por que o grito da terra também é o grito do pobre, o desafio para nós é de restabelecer a vida da terra. A cada dia ela se torna mais deserta e seca. A falta de água não é um desígnio de Deus. E por fim, não dá para se falar do ano jubilar de nossa Arquidiocese sem restabelecer a vida do Rio Doce. Somente assim, uma catequese inspirada pela experiência bíblica do jubileu poderá educar as pessoas e a sociedade para a vivência como iguais, na partilha e na solidariedade, e recuperando a vida da terra.

Edebrande Cavalieri
Doutor em Ciência da Religião

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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