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Por que Nossa Senhora da Penha é padroeira do Espírito Santo?

RELIGIÃO
Frei Paulo Roberto Pereira, OFM
 
Guardião do Convento da Penha

Por que Nossa Senhora da Penha é padroeira do Espírito Santo?
A identificação da Padroeira ou do Padroeiro relaciona-se com a herança do catolicismo trazido ao Brasil pelos colonizadores. Através de Bulas Papais, aos reis portugueses foi dado o direito e a tarefa de proteger a Igreja, sobretudo nas colônias. Mesmo após o período colonial, o costume de escolher o padroeiro dalguma localidade continuou a indicar proteção e cuidado, agora não mais tarefa dos reis, mas dos santos escolhidos. Assim, o povo do Estado do Espírito Santo tem em Nossa Senhora da Penha sinal da proteção e do maternal cuidado de Deus por seus filhos amados.
O Santuário da Penha, privilegiadamente colocado num ponto que atrai os olhares de toda a região da Grande Vitória, é também local de peregrinação de capixabas e gente de muitos lugares. Desde sua fundação, o Convento ofereceu ao povo desta terra espaço de encontro com Deus e de acolhimento da materna proteção da Senhora das Alegrias.
Em novembro de 1912 Nossa Senhora da Penha foi instituída Padroeira de toda a Diocese do Espírito Santo, nesta época havia apenas uma Diocese em todo o Estado, só mais tarde foram criadas as Dioceses de São Mateus, Colatina e Cachoeiro.
Em 1958, ano em que foi celebrado o quarto centenário da chegada de Frei Pedro Palácios, a Senhora das Alegrias foi anunciada como padroeira do Estado do Espírito Santo.

É válido fazer uma promessa para outra pessoa pagar?
Ao fazer uma promessa, o fiel revela disposição em realizar alguma obra, promover algum sinal que indique ou sua gratidão, ou seu compromisso com Deus. Há situações em que alguém assume um compromisso em nome de outro; por exemplo, a mãe em nome da criança, o são em nome do doente, o familiar em nome do acidentado… Nestes casos, não raro, o cumprimento da promessa pode recair não em quem prometeu, mas naquele que recebeu a graça.
Contudo, é preciso recordar que a promessa é ato livre e voluntário, por isso, ninguém deve ser obrigado por outro nem a prometer, nem a “pagar” qualquer promessa. É preciso evitar o relacionamento com Deus baseado na troca: “caso me dê isso, dou a você aquilo”. Os votos que fazemos ao Senhor deverão ter a marca da confiança e da gratidão, nunca da lógica da barganha. A fidelidade de Deus não tem preço, a nossa também não deverá ter.

Por que as pessoas expressam sua devoção em romarias?
A palavra romaria indica o movimento de ir a Roma. Os cristãos se dispunham a ir à Roma para rezar diante do túmulo dos Apóstolos Pedro e Paulo, colunas da Igreja, ícones da identidade e missão cristãs. Assim, desde remota tradição partir em romaria revela a criativa disposição de encontrar-se com as raízes da fé e com o ânimo para a missão. Hoje, ampliando o sentido da palavra, quem parte em romaria não precisa dirigir-se à Cidade Eterna, mas é indispensável que cultive o desejo de revigorar a experiência de encontro com o Ressuscitado.
Entre as principais atividades da Festa da Penha se destacam as Romarias. A dos Homens é a mais tradicional, a das Mulheres a mais colorida; mas há ainda muitas outras como a das Pessoas com Deficiência, dos Ciclistas, dos Motociclistas, dos Militares, até uma “remaria” que reúne os praticantes de esportes a remo que saem da Praia da Costa e vão até a Prainha. Este ano acontecerá a dos Adolescentes. Todos os romeiros e romeiras desejam estar próximos à Casa da Mãe de Deus, a Virgem da Penha, para agradecer, louvar e bendizer ao Senhor por tão grande dádiva. O esforço feito, seja caminhando, pedalando ou remando, revela a disposição de colocar-se a serviço na construção de um mundo mais parecido com o sonho de Deus.

Nossa Senhora da Penha é Nossa Senhora das Alegrias?
Segundo antiga tradição, o Ressuscitado aparecera por primeiro à sua mãe, enchendo seu coração de alegria. A família franciscana conserva até nossos dias a recitação do Rosário Franciscano, também conhecido como Coroa das Sete Alegrias de Nossa Senhora. Frei Pedro Palácios, franciscano e missionário popular, aqui chegou trazendo uma estampa da Virgem das Alegrias. Tendo sido construída uma capela no alto do penhasco, o quadro foi ali colocado para veneração. Não demorou muito tempo para o povo identificar Nossa Senhora das Alegrias como a Virgem do penhasco ou, como hoje é venerada, a Senhora da Penha. Deve se ressaltar que a associação com a Virgem das Alegrias justifica a celebração da Festa da Penha logo depois da Páscoa.
A imagem da Virgem da Penha revela um leve sorriso na face da mãe do Salvador; até o Menino que ela traz em seus braços parece nos sorrir. Os sorrisos da Mãe de Deus e do Menino Jesus acolhem a todos os que decidem fazerem-se romeiros da Penha.
A proximidade da Festa da Penha, a ser celebrada entre os dias 16 e 24 de abril, sugere sejam intensificadas as preces para que seja um momento de revitalização da fé e da missão de cada um e de toda a Igreja.
Virgem das Alegrias, rogai por nós.

 

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Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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