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PERGUNTAS E RESPOSTAS

Perguntas pertinentes podem ser respondidas de forma distinta em tempos e lugares diferentes. O que foi pertinente como resposta a questões sociais e econômicas em um país e/ou região, pode ser inadequado em um outro contexto socioeconômico.

De forma semelhante, uma política que apresentou resultados em um determinado período – atração de empresas estrangeiras com a finalidade de trazer tecnologias avançadas, por exemplo – pode ser inefetiva em um outro momento histórico. Boas soluções mudam no tempo e no espaço.

O problema fica mais complexo quando a resposta é buscada para uma pergunta inadequada. Típico do atual momento da economia política brasileira, é a indagação de como cortar gastos sociais para adequar as despesas às receitas.

Formulada assim, depreende-se pelo que é posto em discussão pela mídia e pela academia de mercado, que a única solução para o equilíbrio fiscal é buscar saber onde cortar – se na saúde, educação ou assistência social. Menos recursos para áreas vitais na busca de coesão social, tem como consequência direta – ainda que sem exclusividade – o aumento da violência.

Quando as perguntas sobre o aumento da violência derivam para visões simplistas, as respostas encontradas são sempre simplificadoras e seus resultados fracasso garantido. Fracasso já registrado por tentativas anteriores, seja em lugares diferentes, seja em outros tempos.

Quando as perguntas sobre a geração de emprego – importantes para a inclusão social – se restringem às expectativas do mercado financeiro, as respostas são sempre inadequadas.
Inadequadas porque o ‘mercado’ quer respostas imediatas e a geração de emprego com distribuição de renda – fundamental para a coesão social – só se dá a curto/médio/longo prazos.

Em um contexto de crescente financeirização mundializada, aumenta a complexidade das questões sociais, econômicas e políticas. Os que mais ganham com a primazia das finanças sobre a produção e as questões sociais e ambientais, têm pouco apreço ao encaminhamento político de perguntas e respostas dentro de princípios democráticos.

Princípios democráticos que assegurem a formulação de questões por óticas distintas. Óticas distintas que exigem soluções de acordo com a complexidade das questões sociais e econômicas. Questões sociais e econômicas que resultam de relações cada vez mais diversas e complexas, impossíveis de terem respostas simples.

Diversidade e complexidade sem espaços para discussão em tempos de poderes ilegítimos.

Ilegitimidade que precisa ser contestada na formulação de perguntas sobre a gravidade da situação social, econômica e política e na busca de agregação de forças para a construção de um Brasil mais justo para com a maioria de sua gente.

Arlindo Villaschi
Professor de Economia
(arlindo@villaschi.pro.br) 

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Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

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