buscar
por

PEREGRINAÇÃO ECUMÊNICA PARA A CIDADE DE CALVINO

No final do mês de junho deste ano, o Papa Francisco realizou uma viagem definida por ele mesmo como “peregrinação ecumênica a Genebra” para celebrar os 70 anos do Conselho Mundial das Igrejas, que hoje representa mais de 500 milhões de cristãos, com 345 comunidades em 110 países. Desde o início deste século vêm sendo promovidos encontros reunindo as grandes famílias cristãs compostas de ortodoxos, católicos, anglicanos e protestantes (incluindo pentecostais ou evangélicos) e em 2007 realizou-se no Quênia o Primeiro Forum Global Cristão objetivando uma só mesa de diálogo entre as religiões. Os setores mais conservadores e fundamentalistas das grandes famílias cristãs foram críticos ferrenhos deste encontro.

O ataque mais duro contra o Conselho Mundial de Igrejas visa a prática ecumênica. Aumenta no mundo atual o clima de intolerância religiosa, já vivida e sofrida pela humanidade nos séculos XVII e XVIII. As Guerras de Religião não foram suficientes para mostrar ao mundo o péssimo exemplo dado pelos cristãos. Corre-se o risco de repetirmos na atualidade novas guerras de religião com muito derramamento de sangue.

A Igreja Católica sempre olhou com bons olhos o trabalho do Conselho Mundial das Igrejas; antes Paulo VI e João Paulo II estiveram nesta organização cristã. Francisco em Genebra toma como tema do discurso a Carta de Paulo aos Gálatas, especialmente a indicação de se “caminhar segundo o Espírito”. Para ele, “é preciso escolher a lógica do serviço e avançar no perdão” e “inserir-se na história com o passo de Deus”. Toda vez que se escolhe andar conforme a mentalidade mundana, da direção da carne ao invés da direção do Espírito, de cultivo dos próprios interesses, fatalmente qualquer comunidade religiosa cairá em divisões e cismas. Não é pelo medo da excomunhão que se garante a unidade, mas pelo testemunho do amor fraterno.

Os dias atuais testemunham para a história a infiltração da mentalidade mundana que divide as Igrejas. É preciso ser de Jesus, antes de ser de direita ou esquerda. Para nós brasileiros, em tempos de tantas divisões, a tendência a se transportar esta mentalidade para dentro das comunidades é muito grande. Segundo o Papa, o mundo atual é marcado por divisões que dilaceram o tecido social afetando os mais pobres e mais fracos.
Uma das primeiras tarefas a ser atacada é a remoção de toda e qualquer forma de proselitismo. Este é o lado sombrio para o diálogo. É excludente, intolerante e caminho contrário do encontro e do diálogo. Segundo Francisco, todo cristão deveria ser “peregrino que busca a unidade e paz”. Sua presença na cidade de Calvino demonstrou isso. Por isso, o desenvolvimento do ecumenismo deve ser desenvolvido no caminhar, no rezar e no trabalhar juntos.

Edebrande Calalieri
Doutor em Ciência da Religião

editor1

Arquidiocese

Fundada em 1958 e abrangendo 15 municípios do Estado do Espírito Santo conta com 73 paróquias. Desde 2004 D. Luiz Mancilha Vilela é o arcebispo da arquidiocese.

Mais posts do autor

COMENTÁRIOS